Nunca imaginei que seguir um chamado fosse me levar a lugares e experiências tão incríveis, tão mágicas, inesquecíveis.
Esse foi o ano da CURA, chegava a hora de eu ter essa certeza, de que esse seria meu caminho a partir de então. E a resposta veio nessa viagem, de uma forma tão inesperada, tão especial e carinhosa, que só tenho a agradecer por ter recebido um presente tão maravilhoso.
Do grupo eu só conhecia o líder, prof. Marco Schultz, com quem faço retiros de Yoga todo ano. Quem eu iria encontrar, com quem eu iria compartilhar essa experiência era uma incógnita. Mas minha alma estava aberta para o novo, eu estava me preparando para essa viagem há algum tempo e se realmente temos o poder criativo, eu poderia esperar somente o melhor grupo de pessoas, selecionados a dedo. Cada um com uma história de vida incrível. E assim foi.
Quando chega a hora, todo o Universo conspira e as pessoas certas, no lugar certo, no tempo certo se encontram. Os passos se acertam, os ponteiros do relógio sincronizam-se uns com os outros.
Almas amigas se reencontrando, festejando e celebrando a Vida.
O primeiro obstáculo foi o mal estar devido a altitude, 3400m acima do nivel do mar. Cansaço, dor de cabeça, falta de ar. Mas tudo suportável, pois eu nem precisei me medicar. Folhas de coca: mascava o tempo todo ou tomava chá. Isso aliviava muito e ajudou na adaptação do corpo em relação à altitude e às caminhadas.
O turismo local, visitando diversos monumentos e ruínas com inúmeros degraus foi o nosso treinamento de condicionamento físico nessa primeira etapa da viagem. A dificuldade em respirar deixava todos nós ofegantes, e isso é muito interessante pois eu me percebia muito mais. Sair da zona de conforto e se perceber...
A segunda etapa foi um preparo para a trilha nas montanhas. Ficamos hospedados num lugar muito especial, parecia estar num sonho, jardins floridos e coloridos, borboletas, abelhas, beija-flores...
Diariamente a cada atividade proposta aprofundavamos mais e mais na experiência do Ser. O contato com o xamanismo trouxe muitas informações e revelações sobre minhas muitas vidas. Mas o contato diário com a Natureza e toda essa troca de energia, no silêncio, trouxe minha Essência de volta.
O labirinto no Chakra Garden
A sala de prática de Yoga em frente a uma árvore milenar de Lucuma nos lembrava da nossa humilde existência e o quanto temos de praticar a gratidão em nosso cotidiano.
Meditar nos jardins, e viver a solitude em vários momentos, sem ser importunada com nada, que bênção!
O carinho vinha de todos os lados. Havia amor no ar que respirava, do chá de ervas frescas sempre a postos, a cama aquecida todas as noites com uma bolsa de água quente, a hora das refeições, sempre pontuais em seu cerimonial. Era o momento do encontro do grupo, e momento de encontrar o alimento, vindo a cada dia de uma forma diferente, numa sequência e no carinho dos detalhes que era sempre uma surpresa: uma florzinha comestível no canto do prato, uma montagem toda especial no prato colorido.
Antes de partir para a trilha nas montanhas, muita oração, muitas partilhas do grupo, muitas lágrimas e emoções afloravam, um ritual do fogo com tambores e muito silêncio. Ouvimos a noite. Ouvimos a Natureza.
E chega o dia de dar a largada para a nossa trilha de Salkantay. A nossa relação com o mundo surge quando caminhamos pela trilha carregando a mochila nas costas. Quanto de essencial e quanto de supérfluo estou carregando nas costas?
No acampamento de Salkantay a prévia para decidirmos quem ia para a trilha foi a visita ao lago Humantay. Uma subida árdua, apenas uma amostra do que seriam os próximos dias. O visual desse lago é algo indescritível. Todo mundo se acabou de chorar quando chegou lá!
Lago Humantay - uma visão do Paraíso
Uma equipe prestativa estava sempre a postos nos acampamentos e no fim do grupo, com os cavalos. E como era importante a ajuda do outro na hora de atravessar uma ponte, uma cachoeira. E o fôlego sempre no limite, ajudando a lembrar quem eu era, onde eu estava.
Fazia muito frio perto das montanhas nevadas. As subidas eram desafios para o coração que acelerava junto com a respiração, e tudo ficava muito intenso. Por isso eu senti que lá resgatei minha força e minha coragem. As montanhas, os Apus, representam a força. E caminhar entre elas era como ser criança novamente no meio de uma multidão de adultos.
O pico estava a 4600m de altitude. Ar rarefeito. E muito frio. Foi só chegar, meditar e agradecer por ter conseguido chegar lá no topo e tirar uma foto, pois em poucos minutos uma névoa e um frio gigante chegou e não se via mais nada.
Foto do grupo lá no alto da trilha de Salkantay a 4600m de altitude.
(Eu de azul)
Em alguns trechos cada um segue seu próprio ritmo, então eu me via sozinha naquela imensidão de estrada, mas sempre com a certeza de que meus companheiros peregrinos estavam logo mais a frente ou vinham logo atrás, inclusive os cavalos de apoio.
Os pés cansados e doídos, a respiração sempre ofegante, e o silêncio das montanhas. E nos acampamentos éramos sempre acolhidos, com comidinha sempre quentinha, chá de coca e sempre uma sobremesa.
Tivemos muitos presentes ao longo do caminho. Paisagens maravilhosas, um visual de sonho, inesquecível para toda a eternidade. Borboletas, flores, frutos, muito verde e o rio sempre nos acompanhando...The river is flowing...
As montanhas nos cercando o tempo todo e dizendo como éramos fortes!
A chegada da trilha foi linda. Ainda não era em Machu Picchu. mas a revoada de borboletas sobre aquela pequena queda d'água foi uma cena de glória para cada um de nós que aceitou o desafio e ali se cumpriu.
A próxima etapa era chegar em Macchu Picchu, a 2400m do nível do mar. E quem escolheu chegar a pé pelos trilhos do Trem seriam mais 10km. De pensar que a cidade perdida dos Incas está bem escondida, avistar alguns dos seus terraços por esse caminho é bem interessante. Pequenos achados.
A cidade de Águas Calientes onde nos hospedamos é bem turística, foi aquela festa a nossa chegada, reencontrar com a turma que não fez a trilha nem a chegada pelos trilhos do trem. Aos poucos fomos nos sintonizando novamente com a civilização: wifi, internet, telefone, skype...
Entrar nas ruínas de Macchu Picchu foi o nosso troféu, um grande presente por ter realizado todo esse trajeto da peregrinação. É estranha a sensação de andar naquilo que já foi um local habitado, povoado, com muita história. Para quem tem um pouco mais de sensibilidade é possível sentir a energia do local.
Wayna Picchu, aquela montanha ao fundo e o nosso grupo.
Para finalizar, a cereja do bolo foi subir a montanha Wayna Picchu, que é a montanha que aparece ao fundo nas fotos de Macchu Picchu ( 2.720m do nível do mar). Suadouro chegar lá no topo, mas foi rápido. O coração bate a milhão, como num treino intenso na aula de spinning.
E realmente valeu a pena essa escalada. O visual lá de cima é incrível. Macchu Picchu fica uma cidade de formiguinhas vista lá de cima.
Mas o mais lindo e que me deixou em êxtase total foi ver aquela revoada de borboletas de todas as cores lá no pico da montanha.
E parando por alguns instantes só fui recapitulando tudo o que passei ao longo do ano, o que fiz desde que ouvi esse chamado da viagem, as tristezas e alegrias de toda a minha vida...Uau! Inenarrável!
Era possível sentir a energia dos locais. Muitos altares e templos de cura.
Um grupo de pessoas muito especiais, como um reencontro de velhos conhecidos. Vai saber...
"The river is flowing, flowing and growing
The river is flowing down to the sea...
Pachamama, carry me, your child I will always be
Pachamama, carry me, back to the sea...
O rio está fluindo, fluindo e crescendo
Fluindo para o mar...
Pachamama cuida de mim, sua filha sempre serei
Pachamama, me leve, de volta ao mar..."
Não foi uma viagem, mas uma linda peregrinação.
Quanto aprendizado, quanta amizade, quanto amor...gratidão!
Muitas lições na bagagem...e tudo o que é supérfluo simplesmente descartado. Simples assim!





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