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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Comunicação Não Violenta - CNV

Estou num momento muito especial de seguir o mágico fluxo da vida. E a temática da vez chega através da Comunicação Não Violenta, que é, também, um lindo caminho de Autoconhecimento.
Ainda não fiz o curso, apenas tenho o livro, que não li inteiro, mas que me acompanha e consigo folhear e aprender a cada capítulo ou parágrafo. Também gosto de ler textos de quem já pratica a CNV e assisti vários vídeos sobre o tema.

O livro do Marshall Rosenberg

Mas hoje participei de uma roda de conversa e vivência com o tema e através de alguns exercícios foi bem gostoso praticar essa comunicação, através de erros e acertos.




Lições muito importantes:

1. Observação - trazer o fato sem a minha interpretação (rótulo, julgamento, interpretação, simpatia, antipatia...)

2. Sentimento - aceitar o sentimento como algo natural. Sentir o simples. (raiva, tristeza, alegria...)

3. Necessidades - Descobrir qual a necessidade que existe por trás desse sentimento. Focar no sentimento verdadeiro. Dialogar com as necessidades. (necessidade de atenção, amor, espaço...)

4. Pedido - deve ser concreto, positivo e aberto a ouvir um "não".


"Ninguém nunca te fez sentir raiva ou te irritou."



Isso é libertador, não é mesmo? Afinal EU sou responsável pelo meu sentimento. E o que sinto tem a ver com uma necessidade.
O sentimento é algo natural e precisa ser acolhido para que a gente saiba qual é a necessidade que existe por trás.
Essa investigação é um lindo caminho de Autoconhecimento. A beleza de ouvir as necessidades e poder dialogar com elas através da empatia. Surgem janelas, acontece a conexão.

Dica de leitura para CNV entre Pais e Filhos

Sobre falar Não de forma positiva.


Esses são dois vídeos sobre CNV que eu gosto muito de compartilhar:




Foi bom rever tudo isso que lembrei dos meus primeiros estudos do Yoga e vi que estou nessa espiral do conhecimento que vai se transformando em sabedoria. E a cada volta surgem novos ítens para aprender...e cada vez mais nos aprofundamos.

E aqui os vídeos com o Marshall Rosenberg:



















quarta-feira, 9 de maio de 2012

Autoconhecimento: Purusha e Prakriti





"Era uma vez um planeta chamado Purusha. Pode-se dizer que Purusha era um lugar perfeito, onde todos viviam felizes. Lá não havia tempo nem espaço e todos os habitantes sentiam-se absolutamente completos. O único problema do Planeta Purusha era que lá não havia espelho algum, e sem espelhos, os habitantes desse planeta não podiam ver a si mesmos e nem conhecer a si mesmos, porque em Purusha não havia a noção de separação um do “outro”. 
Um dia, os habitantes do Planeta Purusha ouviram falar de um planeta distante chamado Prakriti, onde era possível conhecer a si mesmo em um mundo de dualidade, vivendo como um ser individual, cada um com sua própria identidade.
Este mundo de dualidade poderia ser percebido através dos cinco sentidos: audição, tato, visão, paladar e olfato. Ao visitar Prakriti, os cidadãos de Purusha poderiam continuar sentindo toda paz e alegria, e ao mesmo tempo também conhecer a si mesmos. Após essa jornada de investigação e aprendizagem, retornariam para casa mais conscientes de sua identidade real – cidadãos do Planeta Purusha.


Para viajar para o Planeta Prakriti, o povo de Purusha precisava de aeronaves especiais que pudessem resistir à atmosfera de Prakriti. Então, construíram aeronaves dos mesmos cinco elementos que compunham o Planeta Prakriti: terra, água, fogo, ar e espaço.
Cada aeronave foi construída artesanalmente, com características particulares que seguiam três modelos básicos chamados Vata, Pitta e Kapha. As aeronaves Kapha eram densas e sólidas; as aeronaves Pitta eram possantes e perfeitas; e as aeronaves Vata eram leves e rápidas.
Cada aeronave era constituída de três componentes básicos: a estrutura da nave em si chamava-se corpo físico, o piloto responsável por dirigir a nave chamava-se mente, e o passageiro principal chamava-se alma, o espírito que leva consigo a essência da felicidade e completude do Planeta Purusha. A ida para o Planeta Prakriti e a volta para Planeta Purusha seria possível somente através da integração completa de Corpo, Mente e Espírito. 
Antes de sair para a jornada ao Planeta Prakriti, os habitantes do Planeta Purusha instalaram uma potente antena transmissora para que eles pudessem sempre manter contato com seu Planeta. Essa antena chamava-se Mahat, que significa “o Grande”. Cada aeronave tinha também um computador de bordo super-inteligente, chamado Buddhi, que quer dizer inteligência suprema, para garantir que o piloto da nave sempre tivesse em contato com o Planeta Purusha.
Todas as aeronaves partiram de Purusha ao mesmo tempo, mas cada uma teve sua trajetória única. As aeronaves Kapha, pesadas e lentas, seguiram a viagem em um ritmo constante. As aeronaves Pitta, concebidas para ter um desempenho perfeito, às vezes perdiam tempo em detalhes desnecessários. As aeronaves Vata fizeram a viagem mais emocionante, explorando diferentes universos e planetas, mas muitas vezes esqueciam onde tinham deixado as chaves e perdiam muito tempo procurando. Mas no fim da viagem, todas as aeronaves chegaram ao Planeta Prakriti ao mesmo tempo. 
Ao se aproximarem de Prakriti, os pilotos prepararam os equipamentos e as ferramentas necessárias para a tão esperada temporada de exploração. Um conjunto de equipamentos chamado de jnanaendriyas servia para receber informações no Planeta Prakriti. Jnanaendriya quer dizer ferramentas para obter conhecimento no idioma do Planeta Purusha, chamado sânscrito. Os jnanaendriyas constituem os cinco sentidos: audição, visão, olfato, paladar e tato. Havia também equipamentos chamados karmendriyas, que permitiam que cidadãos de Purusha pudessem executar ações no Planeta Prakriti, tais como falar, se movimentar, pegar objetos, eliminar resíduos da nave, e até mesmo procriar novas “naves-bebês”. Com todos estes equipamentos, nada poderia atrapalhar a viagem de investigação e autoconhecimento no Planeta Prakriti.


Ao chegarem na atmosfera do Planeta Prakriti, as naves atravessaram uma série de tempestades inesperadas, repletas de turbulência, chamadas tempestades rajas, que quer dizer forte turbulência. Também atravessaram intervalos de calmaria, chamados tamas, onde nada se movia. Esses ciclos de rajas e tamas eram intercalados com breves momentos de equilíbrio perfeito chamados sattva, quando a viagem fluía bem, sem qualquer esforço.
Todas as aeronaves finalmente aterrissaram no Planeta Prakriti, mas a viagem foi muito estressante. A maioria dos pilotos ficou com amnésia crônica, esquecendo sua missão original de exploração e autoconhecimento. Esses pilotos ficaram deslumbrados com as experiências do Planeta Prakriti, não mais se lembrando de sua identidade original como cidadãos do Planeta Pususha. Os sistemas de comunicação inteligentes, buddhi, ficaram enferrujados por falta de uso, e sem buddhi funcionando adequadamente, os pilotos perderam contato com a Grande Antena Mahat, e consequentemente com o Planeta Purusha.
Com o passar do tempo, os cidadãos de Purusha passaram a acreditar que eram cidadãos do Planeta Prakriti, com personalidades próprias. Passaram a pensar que estavam em Prakriti apenas para desfrutar das vitrines dos diversos shoppings, andando em círculos, consumindo combustível e reproduzindo navezinhas. Esta condição de amnésia se chamava de avidya e este círculo vicioso de avidya denominava-se samsara.

No entanto, alguns poucos pilotos continuavam se lembrando da sua verdadeira cidadania e missão. Eles eram chamados de Rishis ou videntes e tinham a capacidade de ajudar os pilotos-esquecidos a saírem do padrão de tráfego circular do Planeta Prakriti e voltarem a se reconhecer como cidadãos do Planeta Purusha. Aqueles que decidiram retornar à sua identidade original precisavam primeiro consertar suas naves devido ao estresse crônico que sofreram com o uso excessivo dos jnanaendriyas e karmendriyas.

Os reparos eram realizados em oficinas que utilizavam uma ciência chamada Ayurveda, especializada em reequilibrar os cinco elementos, matéria-prima das naves. Às vezes, os sistemas das naves estavam tão entupidos e desequilibrados que tinham que passar por um serviço de limpeza completo chamado Panchakarma. Depois das naves terem passado por esse tratamento completo, sentiram a necessidade de ter em mãos um manual de instruções que os guiasse no caminho de volta à Purusha.

Um dos mais conhecidos e eficientes manuais de retorno foi aquele compilado por um sábio chamado Patanjali. O nome do manual chamava-se Ashtanga Yoga, um manual que continha os Oito Passos de retorno à Purusha, descritos a seguir:
Os dois primeiros passos, Yama e Niyama, descreviam como os pilotos deveriam se comportar na viagem de volta.
O terceiro passo, chamado Asana, era necessário para assegurar que as estruturas das aeronaves permaneceriam estáveis e firmes para que a viagem fosse confortável e segura.
O quarto passo, Pranayama, dava as instruções sobre o adequado abastecimento e distribuição de energia durante a viagem.
O quinto passo, Pratyahara, consistia em remover a atenção dos pilotos de todas as distrações do Planeta Prakriti, para que pudessem se concentrar na missão de volta ao Planeta Purusha.
O sexto passo, Dharana, estabelecia uma direção certa e contínua, rumo ao Planeta Purusha.
O sétimo passo, Dhyana, ou meditação, descrevia um estado ideal de vôo no qual todos os sistemas das naves (corpo, mente e espírito) estariam funcionando de forma integrada, guiados por Buddhi, em contato cons-tante com Mahat, mantendo de forma contínua uma comunicação clara com Purusha.
Através deste Manual dos Oito Passos de Patanjali, muitas naves puderam voltar para casa, e quando chegaram, reassumiram sua verdadeira identidade como cidadãos do Planeta Purusha, retornando para um estado de perfeita união, chamado Samadhi, o último passo.
Ao voltarem, no entanto, os cidadãos de Purusha já não eram mais os mesmos de quando haviam partido. Agora, esses cidadãos de Purusha possuíam a experiência do espelho do autoconhecimento. Eles conheceram o Planeta Prakriti, o mundo da dualidade, e então, retornando ao Planeta Purusha, tornaram-se plenamente conscientes de sua natureza intrínseca de paz e completude.


O aprendizado mais profundo dessa viagem, que é a jornada de todos aqueles que trilham o caminho do Yoga, é que Purusha e Prakriti são, na realidade, um só planeta, e que nós podemos viver a vida em estado de Purusha em meio ao mundo de Prakriti."

Filosofia Samkhya: para crianças de todas as idades
(Este texto maravilhoso foi escrito pelo professor Joseph Le Page.)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Controle dos sentidos

A prática de Brahmacharya está relacionada a uma busca da visão espiritual, de tudo e em tudo.
Para permitir essa visão é preciso que haja controle dos sentidos. Há muita confusão na compreensão desse yama pois os desejos que norteiam nossos sentidos estão situados num dos centros de energia conhecido como Chakra Sexual.
Quando falamos em desejos, incluímos também o desejo sexual.
Mas controlar os sentidos também está em comer apenas um bombom e não a caixa inteira. É preciso saber a hora de parar, ter esse autocontrole.
Podemos ter e sentir prazer, mas sem buscar a repetição excessiva desse prazer, o que só levaria ao sofrimento.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Yoga e o Autoconhecimento

Os estímulos externos fazem parte de nosso cotidiano. Basta olhar ao redor para perceber como somos estimulados a ser, a comprar, a ter, a desejar...
E se nos deixamos influenciar por esse bombardeio de informações o que pode acontecer é que vamos cada vez mais nos distanciando de nós mesmos, de nossa essência.
O yoga procura trazer nossa consciência de volta, voltamos cada vez mais para nós mesmos, descobrimos quem realmente somos e não quem a sociedade deseja que representemos: inúmeros papéis que desempenhamos conforme a ocasião e o ambiente.
Quando praticamos os ásanas (posturas do yoga) estamos observando e controlando o nosso próprio corpo.
E precisamos respeitar os limites desse corpo para não machucá-lo nem sentir dor. Ahimsa (não violência) é praticar sem causar dor ao corpo. Satya (verdade) é praticar as posturas dentro dos seus limites, sendo você mesmo.

E aqui segue uma frase que extraí de um dos livros que estou lendo no momento, O Coração do Yoga, de  T.K.V Desikachar.







"Por mais lindamente que você consiga fazer um ásana, por mais flexível que o seu corpo seja, se você não conquista a integração entre corpo, respiração e mente, não dá para dizer que você esteja fazendo Yoga."

sábado, 9 de outubro de 2010

O Caminho do Yoga - Parte 3

Estamos (juntos) estudando os yamas, que são as normas de conduta para aprendermos a nos relacionar com o mundo. Aprendemos como ter atitudes adequadas.
Hoje, para encerrar esse primeiro passo do Sistema de Oitos Passos de Patãnjali, veremos os demais yamas: Asteya (não roubar), Brahmacharya (moderação dos sentidos) e Aparigraha (desapego).

3. Asteya

Esse yama significa não roubar, não tomar para si o que não é seu. E isso não significa apenas subtrair um bem material que não lhe pertença. Podemos roubar o tempo alheio quando atrasamos para um compromisso fazendo a outra pessoa perder tempo, ou mesmo quando ficamos tomando o tempo dos outros com nossas lamúrias, descontentamentos, reclamações e críticas de outrem.
Pode ser roubar uma idéia, não creditando a autoria de uma frase, de um projeto. Ou então esquecer de devolver algo que foi tomado emprestado.
Praticando Asteya estaremos trabalhando a honestidade, e isso inclui o cultivo da integridade e da utilização somente daquilo que é realmente necessário e indispensável.
Até mesmo lucros excessivos são considerados agressões.  Quando praticamos asteya evitamos apropriar-se de bens alheios, assim como frases, experiências, prestígio, conceitos. Assim estaremos também praticando Ahimsa (Não violência) e Satya (Verdade), pois o ato de roubar é uma violência assim como uma forma de enganar os outros e a si mesmo.


4. Brahmacharya


O termo brahmacharya significa literalmente: "O que caminha com brahman". Mas como a maioria dos yoguis e sábios eram casados não vemos apenas como esse tipo de controle, dos impulsos sexuais, mas uma moderação dos sentidos, de uma forma geral.Poderia ser traduzido como celibato, visto que a castidade era vista como exigência disciplinar na época que os estudantes bramânicos aprendiam os Vedas ao pé de um mestre.
Quando nossos sentidos estão voltados para o externo, nessa busca pelo prazer (não somente sexual),  acabamos nos afastando de nossa essência. Vivemos num mundo onde se busca cada vez ter mais, fazer mais.
Quando cultivamos brahmacharya procuramos FAZER, sem se preocupar em fazer mais, mas procurando fazer bem feito, como algo sagrado; e procurando SER sem depender de algo externo.
Aprender a ficar consigo mesmo por alguns instantes, sem se preocupar com os estímulos externos.
Isso não significa que devemos nos abster do prazer, mas parar de buscar essa repetição do mesmo prazer, que só nos traria sofrimento.





5. Aparigraha

O desapego, a não possessividade. Esse yama não só significa trabalharmos o desapego em relação a objetos, pessoas, situações, mas também avaliar a real necessidade do objeto em si.
Vivendo num mundo excessivamente consumista, estamos sempre adquirindo mais e mais e com isso acumulamos cada vez mais. Temos a tendência de guardar coisas que julgamos ser importante se não hoje, um dia talvez...Criamos necessidades desnecessárias.
Cultivar aparigraha nos leva a libertação. Paramos de nos identificar com os objetos e assim nos aproximamos de nossa prórpia essência (Satya).
Isso não significa que temos de banir todos os nossos desejos e livrar-nos de todas as nossas posses. Mas aprendemos a viver com o necessário e não viver apenas para manter o desnecessário.


Agora já conhecemos os Yamas: Ahimsa, Satya, Asteya, Brahmacharya e Aparigraha, que irão nos guiar na maneira como iremos nos relacionar com as pessoas e com o mundo.
Seria algo como um "guia de etiqueta social", onde aprenderemos a viver em grupo e respeitar o próximo.
Mas esse guia não é simplesmente para ser seguido, e sim compreendido e então ser incorporado em nosso cotidiano.
Como vimos, todos esses yamas parecem estar relacionados entre si, assim sendo, mesmo que escolha apenas um deles para praticar e cultivar no seu dia a dia, estará cultivando todos os demais.

Se você achava que o Yoga era aquela aula de uma hora sobre um tapetinho, feito duas vezes por semana como se fossem exercícios físicos de relaxamento ou de contorcionismo, estava muito enganado.
Como diz o professor Marcos Rojo, praticar yoga é mais que isso. Você pratica o dia todo, a semana toda.

"Infelizmente, por ignorância ou apelo comercial, o Yoga chegou ao Ocidente trazendo na bagagem conceitos que não necessariamente pertencem ao seu universo.
Por parte de quem fala ou preconceito de quem escuta, já foi confundido com faquirismos, autoflagelação, religião, ginástica e prática misteriosa para fanáticos e iniciados no esoterismo..."

(Prof. Marcos Rojo)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Caminho do Yoga - Parte 2

Continuando o post anterior onde falamos sobre o Yoga de Patanjãli, falaremos hoje de outro Yama:

2. Satya


Satya significa verdade, a busca pela verdade. A verdade nos atos, nos pensamentos e nas palavras.
Na sociedade atual onde prevalecem a hipocrisia, o narcisismo, o egocentrismo  e a superficialidade nos relacionamentos, se faz mais do que necessário o esforço em cultivar esse yama.

Buscamos a verdade de todas as coisas, a verdadeira essência de cada um, de cada situação.
Satya é veracidade, não somente nas palavras, mas nos atos e pensamentos. Por isso precisamos vigiar o que falamos e a maneira como falamos, para não deixar de lado o Ahimsa, que é praticar a não-violência. Ser autêntico e falar a verdade não significa que podemos ser grosseiros. Mas existem formas de se falar a verdade sem se utilizar de palavras ásperas, causando mágoa, agredindo quem quer que seja.

"Segundo o Professor Hermógenes, Satya é não somente a Verdade, mas a veracidade. Quando o yogin se abstém de iludir, de mentir, de comunicar aquilo que ele sabe que não é verdade, está agindo em nome do amor que tem pelo outro. Quando, ao contrário, hipocritamente, explora a credulidade do interlocutor, comete uma violência, um desrespeito, está ferindo, embora de maneira sutil, alguém que precisa da Verdade. Viver, pensar, querer e dizer a verdade é ahimsa; é contribuir para o bem." (Fonte: Maria G. Pegorer - Satya: A Veracidade)


E para sermos verdadeiros em nossa prática de yoga assim como em nossa vida, precisamos ter consciência de nossos objetivos e de nossas limitações. Assim usaremos o caminho e os instrumentos mais apropriados, não tentando ser um praticante que não podemos ou não conseguimos ser. Assim evitaremos a mentira e a falsidade de todas as maneiras, evitando iludir-se com pensamentos e ideais inatingíveis, ou mesmo tentando seguir modismos e opiniões externas.


Yoga Sutras de Patãnjali - Sutra II.17 "A causa do nosso sofrimento é a inabilidade de distinguir entre o que é a verdade (o que percebe) e o que parece ser a verdade (o que é percebido)."


No mundo competitivo em que muitos de nós vivemos, a mentira é propagada livremente. Todo mundo quer ser mais e melhor do que o outro, ignorando a personalidade e limitações do indivíduo, e assim, para que possa ser aceito na sociedade, passa a seguir cegamente os padrões pré-estabelecidos conforme os interesses do meio.
E quanto mais se mente, mais é preciso reforçar essa mentira pra que ela possa sobreviver. Isso acaba gerando internamente: inquietação, insegurança, sofrimento - que nada mais seriam que os frutos da desilusão.

Essa busca pela verdade pode ser entendida como a busca pela essência verdadeira de todos os seres. No caminho individual do yoga podemos entender essa busca como a busca do Eu superior, de nossa essência divina. O que há por trás de cada papel que desempenhamos: pai, mãe, filho, patrão, empregado, amigo...A incessante busca por quem realmente somos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O caminho do Yoga - Parte 1

As primeiras escrituras onde encontramos as primeiras citações sobre o Yoga são os Vedas, que alguns autores alegam ser anterior a 1900 a.C. Depois encontramos mais citações nos Upanishads. Mas alguns autores acreditam que o yoga seja ainda mais antigo, sendo transmitido oralmente durante muito tempo e somente depois começou a ser transcrito. A história do Yoga se perde no tempo, mas existem evidências de que este sistema filosófico-prático seja tão antigo quanto a civilização indiana.
O Yoga conquistou reconhecimento oficial através dos Yoga Sutras, um conjunto de 196 aforismos atribuidos ao sábio indiano Patãnjali, que teria sistematizado esse conteúdo entre 400 a 200 a.C.
O método de Patãnjali propõe a busca de uma concentração introvertida, aquietando a mente, chegando assim ao real conhecimento do "Si Mesmo", sem as interferências externas.
O sistema de Patãnjali consiste em 8 partes (Astanga: asta=8 e anga=parte):

1- Yama - disciplina social, ética, normas de conduta
2- Niyama - disciplina individual ou autodisciplina, uma forma de aprimorar a sua própria vida pessoal
3- Asana - postura (estável e confortável)
4- Pranayama - controle da respiração ou domínio da energia vital
5- Pratyahara - abstração dos sentidos
6- Dhãranã - concentração
7- Dhyãna - meditação
8- Samadhi - estado de supraconsciência

Os dois primeiros passos: Yama e Niyama, são considerados os alicerces deste sistema. Yama e Niyama controlam as paixões e emoções do indiviíduo, mantendo-o em harmonia com seus semelhantes.

YAMAS

Temos 5 yamas que são principios éticos que nos guiam no relacionamento com o mundo. A ética impõe limites ao nosso ego, suprimindo tendências egoístas de nosso ser criando assim novas experiências. Lembrando sempre de não utilizarmos esses princípios para julgar o comportamento alheio, mas sim para guiar e vigiar o próprio comportamento.

Para começar, hoje vamos conhecer UM dos Yamas:

1. Ahimsa - não-violência

Este princípio prega a não violência em todas as suas formas, seja ela física, verbal e até mesmo mental. A violência nos pensamentos pode ser pior do que a violência em si, quando praticada sem a intenção e sem ressentimentos. (Swami Kuvalayananda)
Gandhi se tornou um símbolo do Ahimsa ao liderar o movimento que libertou a India do domínio inglês através de uma estratégia sem violência. Assim também agiu Martin Luther King.
Os praticantes de yoga são frequentemente lembrados para evitarem danos ao próprio corpo. Ahimsa nesse caso significa respeitar suas limitações, praticando sempre de forma consciente. Isso também se refere aos problemas de saúde causados pela falta de descanso, estresse, má-alimentação, etc...
Praticamos Ahimsa ao estimular a compaixão por todas as criaturas vivas. Não cultivar o ódio, nem o sentimento de vingança, pois 'revidar na mesma moeda' além de aumentar a hostilidade, vai envenenar a si mesmo, tanto física como emocionalmente.

"O Ahimsa não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal, mas também um estado positivo que consiste em amar, em fazer o bem a todos, inclusive a quem faz o mal." M. Gandhi



(Fonte das informações: Curso Básico de Yoga - Gerson D'Addio / A árvore do Ioga - BKS Iyengar / Yogic Therapy - Swami Kuvalayananda )