Para seguir o caminho do yoga, precisamos estar cientes dos obstáculos que surgem como pedras no caminho. O aluno tropeça constantemente nessas pedras.
Vamos ver como aparecem e aprender como podemos nos libertar delas?
Os nove obstáculos listados por Patânjali são:
Doença
Letargia
Dúvida
Pressa ou Impaciência
Resignação ou fadiga
Distração
Ignorância ou Arrogância
Incapacidade de dar um novo passo
Perda da confiança
1. Doença (Vyadhi)
Tudo o que possa perturbar a saúde física e mental. A doença perturba a mente e precisamos buscar melhorar a saúde para dar continuidade a prática. Para o yogue, seu corpo é o principal instrumento de realização. Se o veículo enguiça, o viajante não pode ir longe. Se o corpo está abatido por falta de saúde, o praticante pouco conseguirá. A saúde física é importante para o desenvolvimento mental, pois em condições normais a mente funciona através do sistema nervoso. Quando o corpo está doente ou o sistema nervoso, afetado, a mente fica inquieta, embotada, inerte, e a concentração ou meditação se tornam impossíveis.
2. Letargia (Styana)
Quando falta energia mental e ânimo para realizar qualquer coisa, ficamos em um estado de inércia, letárgicos, pesados. Como água numa vala fica estagnada e nela nada de bom floresce. Uma pessoa desanimada é um cadáver vivo, pois não consegue se concentrar em coisa alguma.
Isso pode acontecer quando se come demais ou o tipo errado de alimento, pelo clima frio ou até mesmo pela natureza da própria mente.
3. Dúvida ou indecisão (Samsaya)
Para muitos, a dúvida é o maior obstáculo no caminho do yoga. O insensato, o incrédulo e o indeciso destroem a si mesmos. Esse sentimento habitual e persistente de dúvida e incerteza afeta seu progresso no caminho do Yoga.
4. Pressa ou Impaciência (Pramada)
É a pressa em querer alcançar o objetivo rapidamente. Uma pessoa que sofre de pramada está cheia de si, falta-lhe qualquer humildade e acredita que só ela é sábia. Sempre sabe o que é certo ou errado, mas persiste em sua indiferença quanto ao que é realmente certo e escolhe apenas o que lhe é agradável. Pensa em satisfazer suas paixões egoístas e sua glória pessoal, deliberadamente e sem escrúpulos. Agindo com pressa, tropeça, e com isso pode até criar problemas ao invés de progredir.
5. Preguiça (Alasya)
Quando falta entusiasmo e motivação e surge a resignação. É preciso coragem e esperança para vencer esse obstáculo. Um inabalável entusiasmo precisa ser resgatado para vencer essa preguiça e continuar no caminho.
6. Distração (Avirati)
Quando os sentidos se tornam senhores ao invés de servos da mente. Surge um torturante anseio, difícil de conter. É preciso ter os sentidos completamente sob seu controle. Pela prática do pratyahara, ele conquista a libertação de qualquer apego e a emancipação do desejo, e torna-se contente e tranquilo.
7. Ignorância ou Arrogância (Bhrantidarsana)
Quando a pessoa se imagina superior pelo falso conhecimento sofre de ilusões e acredita que sabe tudo, quando na verdade apenas provou um breve instante de sabedoria e tranquilidade. Tem um intelecto poderoso, mas falta-lhe a humildade e fica exibindo seu conhecimento. Essa sensação de ter chegado ao topo é mera ilusão...
8. Incapacidade de dar outro passo (Alabdhabhumikatva)
Quando ao pensar ter feito algum progresso percebe-se o quanto ainda tem a seguir.Como um alpinista que não consegue atingir o cume da montanha por falta de vigor, uma pessoa que não consiga superar sua incapacidade de se concentrar, vai ser incapaz de atingir a realidade. Pode até ter vislumbres da realidade, mas não conseguirá vê-la com clareza. É como um músico que ouviu a música divina num sonho, mas é incapaz de lembrar-se dela em seus momentos de vigília, não conseguindo repetir esse sonho.
9. Perda da confiança (Anavasthitattva)
Uma pessoa afligida pela anavasthitattva, graças a um duro esforço, chegou a contemplar a realidade. Feliz e orgulhosa de tal feito, se descuida da sua prática (sadhana). Foi uma ilusão de ser melhor do que se é realmente. Mesmo chegando neste último estágio, um esforço contínuo é essencial, e é preciso prosseguir no caminho com infinita paciência e grande perseverança, jamais se descuidando para não comprometer o progresso no caminho, perdendo a confiança e a força de permanecer onde nunca se atingiu antes, acabando por perder tudo o que ganhou. Foi dito no Kathopanishad: "O Eu não será compreendido pelo estudo e pela instrução, nem pela sutileza do intelecto, nem por muito treinamento, mas só por quem anseia por Ele; pelo que Ele escolhe. Em verdade, a alguém assim o Eu revela Seu verdadeiro ser".
