Mostrando postagens com marcador Patãnjali. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Patãnjali. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O caminho do Yoga

Há quem acredite que o Yoga seja apenas uma prática física, com exercícios (de contorcionismo!), muita força e equilíbrio. Mas os ásanas, que são as posturas físicas, correspondem a apenas um dos oito passos sistematizados por Patânjali.
O Yoga é um caminho de auto-conhecimento e auto-disciplina onde na verdade caminhamos em direção a nós mesmos, voltamos à nossa verdadeira essência.
Vivemos num mundo onde a tendência é nos afastarmos cada vez mais de nossa essência, pois somos influenciados por vários padrões impostos pela sociedade em que vivemos, e que nos rotula de várias maneiras, fazendo até com que esqueçamos quem realmente somos.

Somos julgados pela forma como agimos, como nos vestimos, pelo carro ou qualquer outro bem que possuímos, ou seja, importa mais a aparência do que a essência do indivíduo. Quantos são julgados erroneamente pela aparência ou pelos bens que possui...

O Yoga vai ensinar justamente o contrário. Vamos nos libertando de todos esses rótulos e limitações impostas pela sociedade e descobrindo valores realmente importantes e essenciais.
Mudamos a maneira de nos enxergar e de enxergar o mundo, as pessoas, as situações...

Seja bem vindo ao caminho do Yoga!


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Caminho do Yoga - Parte 2

Continuando o post anterior onde falamos sobre o Yoga de Patanjãli, falaremos hoje de outro Yama:

2. Satya


Satya significa verdade, a busca pela verdade. A verdade nos atos, nos pensamentos e nas palavras.
Na sociedade atual onde prevalecem a hipocrisia, o narcisismo, o egocentrismo  e a superficialidade nos relacionamentos, se faz mais do que necessário o esforço em cultivar esse yama.

Buscamos a verdade de todas as coisas, a verdadeira essência de cada um, de cada situação.
Satya é veracidade, não somente nas palavras, mas nos atos e pensamentos. Por isso precisamos vigiar o que falamos e a maneira como falamos, para não deixar de lado o Ahimsa, que é praticar a não-violência. Ser autêntico e falar a verdade não significa que podemos ser grosseiros. Mas existem formas de se falar a verdade sem se utilizar de palavras ásperas, causando mágoa, agredindo quem quer que seja.

"Segundo o Professor Hermógenes, Satya é não somente a Verdade, mas a veracidade. Quando o yogin se abstém de iludir, de mentir, de comunicar aquilo que ele sabe que não é verdade, está agindo em nome do amor que tem pelo outro. Quando, ao contrário, hipocritamente, explora a credulidade do interlocutor, comete uma violência, um desrespeito, está ferindo, embora de maneira sutil, alguém que precisa da Verdade. Viver, pensar, querer e dizer a verdade é ahimsa; é contribuir para o bem." (Fonte: Maria G. Pegorer - Satya: A Veracidade)


E para sermos verdadeiros em nossa prática de yoga assim como em nossa vida, precisamos ter consciência de nossos objetivos e de nossas limitações. Assim usaremos o caminho e os instrumentos mais apropriados, não tentando ser um praticante que não podemos ou não conseguimos ser. Assim evitaremos a mentira e a falsidade de todas as maneiras, evitando iludir-se com pensamentos e ideais inatingíveis, ou mesmo tentando seguir modismos e opiniões externas.


Yoga Sutras de Patãnjali - Sutra II.17 "A causa do nosso sofrimento é a inabilidade de distinguir entre o que é a verdade (o que percebe) e o que parece ser a verdade (o que é percebido)."


No mundo competitivo em que muitos de nós vivemos, a mentira é propagada livremente. Todo mundo quer ser mais e melhor do que o outro, ignorando a personalidade e limitações do indivíduo, e assim, para que possa ser aceito na sociedade, passa a seguir cegamente os padrões pré-estabelecidos conforme os interesses do meio.
E quanto mais se mente, mais é preciso reforçar essa mentira pra que ela possa sobreviver. Isso acaba gerando internamente: inquietação, insegurança, sofrimento - que nada mais seriam que os frutos da desilusão.

Essa busca pela verdade pode ser entendida como a busca pela essência verdadeira de todos os seres. No caminho individual do yoga podemos entender essa busca como a busca do Eu superior, de nossa essência divina. O que há por trás de cada papel que desempenhamos: pai, mãe, filho, patrão, empregado, amigo...A incessante busca por quem realmente somos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O caminho do Yoga - Parte 1

As primeiras escrituras onde encontramos as primeiras citações sobre o Yoga são os Vedas, que alguns autores alegam ser anterior a 1900 a.C. Depois encontramos mais citações nos Upanishads. Mas alguns autores acreditam que o yoga seja ainda mais antigo, sendo transmitido oralmente durante muito tempo e somente depois começou a ser transcrito. A história do Yoga se perde no tempo, mas existem evidências de que este sistema filosófico-prático seja tão antigo quanto a civilização indiana.
O Yoga conquistou reconhecimento oficial através dos Yoga Sutras, um conjunto de 196 aforismos atribuidos ao sábio indiano Patãnjali, que teria sistematizado esse conteúdo entre 400 a 200 a.C.
O método de Patãnjali propõe a busca de uma concentração introvertida, aquietando a mente, chegando assim ao real conhecimento do "Si Mesmo", sem as interferências externas.
O sistema de Patãnjali consiste em 8 partes (Astanga: asta=8 e anga=parte):

1- Yama - disciplina social, ética, normas de conduta
2- Niyama - disciplina individual ou autodisciplina, uma forma de aprimorar a sua própria vida pessoal
3- Asana - postura (estável e confortável)
4- Pranayama - controle da respiração ou domínio da energia vital
5- Pratyahara - abstração dos sentidos
6- Dhãranã - concentração
7- Dhyãna - meditação
8- Samadhi - estado de supraconsciência

Os dois primeiros passos: Yama e Niyama, são considerados os alicerces deste sistema. Yama e Niyama controlam as paixões e emoções do indiviíduo, mantendo-o em harmonia com seus semelhantes.

YAMAS

Temos 5 yamas que são principios éticos que nos guiam no relacionamento com o mundo. A ética impõe limites ao nosso ego, suprimindo tendências egoístas de nosso ser criando assim novas experiências. Lembrando sempre de não utilizarmos esses princípios para julgar o comportamento alheio, mas sim para guiar e vigiar o próprio comportamento.

Para começar, hoje vamos conhecer UM dos Yamas:

1. Ahimsa - não-violência

Este princípio prega a não violência em todas as suas formas, seja ela física, verbal e até mesmo mental. A violência nos pensamentos pode ser pior do que a violência em si, quando praticada sem a intenção e sem ressentimentos. (Swami Kuvalayananda)
Gandhi se tornou um símbolo do Ahimsa ao liderar o movimento que libertou a India do domínio inglês através de uma estratégia sem violência. Assim também agiu Martin Luther King.
Os praticantes de yoga são frequentemente lembrados para evitarem danos ao próprio corpo. Ahimsa nesse caso significa respeitar suas limitações, praticando sempre de forma consciente. Isso também se refere aos problemas de saúde causados pela falta de descanso, estresse, má-alimentação, etc...
Praticamos Ahimsa ao estimular a compaixão por todas as criaturas vivas. Não cultivar o ódio, nem o sentimento de vingança, pois 'revidar na mesma moeda' além de aumentar a hostilidade, vai envenenar a si mesmo, tanto física como emocionalmente.

"O Ahimsa não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal, mas também um estado positivo que consiste em amar, em fazer o bem a todos, inclusive a quem faz o mal." M. Gandhi



(Fonte das informações: Curso Básico de Yoga - Gerson D'Addio / A árvore do Ioga - BKS Iyengar / Yogic Therapy - Swami Kuvalayananda )