Mostrando postagens com marcador Autoestudo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Autoestudo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Comunicação Não Violenta - CNV

Estou num momento muito especial de seguir o mágico fluxo da vida. E a temática da vez chega através da Comunicação Não Violenta, que é, também, um lindo caminho de Autoconhecimento.
Ainda não fiz o curso, apenas tenho o livro, que não li inteiro, mas que me acompanha e consigo folhear e aprender a cada capítulo ou parágrafo. Também gosto de ler textos de quem já pratica a CNV e assisti vários vídeos sobre o tema.

O livro do Marshall Rosenberg

Mas hoje participei de uma roda de conversa e vivência com o tema e através de alguns exercícios foi bem gostoso praticar essa comunicação, através de erros e acertos.




Lições muito importantes:

1. Observação - trazer o fato sem a minha interpretação (rótulo, julgamento, interpretação, simpatia, antipatia...)

2. Sentimento - aceitar o sentimento como algo natural. Sentir o simples. (raiva, tristeza, alegria...)

3. Necessidades - Descobrir qual a necessidade que existe por trás desse sentimento. Focar no sentimento verdadeiro. Dialogar com as necessidades. (necessidade de atenção, amor, espaço...)

4. Pedido - deve ser concreto, positivo e aberto a ouvir um "não".


"Ninguém nunca te fez sentir raiva ou te irritou."



Isso é libertador, não é mesmo? Afinal EU sou responsável pelo meu sentimento. E o que sinto tem a ver com uma necessidade.
O sentimento é algo natural e precisa ser acolhido para que a gente saiba qual é a necessidade que existe por trás.
Essa investigação é um lindo caminho de Autoconhecimento. A beleza de ouvir as necessidades e poder dialogar com elas através da empatia. Surgem janelas, acontece a conexão.

Dica de leitura para CNV entre Pais e Filhos

Sobre falar Não de forma positiva.


Esses são dois vídeos sobre CNV que eu gosto muito de compartilhar:




Foi bom rever tudo isso que lembrei dos meus primeiros estudos do Yoga e vi que estou nessa espiral do conhecimento que vai se transformando em sabedoria. E a cada volta surgem novos ítens para aprender...e cada vez mais nos aprofundamos.

E aqui os vídeos com o Marshall Rosenberg:



















sábado, 15 de abril de 2017

Vidas na sua vida

Encontrei esse filme para assistir no feriado: Lion - Uma jornada para casa. É uma história verídica, a história de Saroo, um menino indiano de 5 anos, que se perde de seu irmão numa estação de trem e vai parar em Calcutá, onde acaba vivendo nas ruas e enfrentando muitas dificuldades até ser adotado por uma família australiana. Depois de 25 anos, ele resolve buscar sua família na Índia, com a ajuda do aplicativo Google Earth.
O filme me trouxe muitas lembranças de minha infância e da viagem que fiz para a India,  mas foi bem intensa a referência que fiz ao caminho do autoconhecimento.  Essa jornada que fazemos em busca do que e quem realmente somos, como se realmente voltássemos para casa. 





Lembrando de minha infância, que parece de uma outra vida de tanto tempo que passou, ainda tenho em minha mente algumas imagens da casa onde vivi até os 3 anos de idade, de algumas cenas, e até das minhas traquinagens.

(A casa onde nasci e vivi até os 3 anos, no colo de minha avó em 1970 e atualmente, no Google Earth)

E depois, quando morei em outra cidade, outra fase de minha vida que guardo muitas lembranças mas que também já ficaram bem distantes. Adoro rever fotos da época, e voltar a sentir as mesmas sensações daquele tempo, muitas vezes lembro através dos sons, do cheiro, ao ver um objeto.
O autoconhecimento nos leva a percorrer  todas as fases da vida a todo instante, pois pode haver alguma ferida aberta, um problema não resolvido ou mesmo um erro de interpretação que pode resultar em confusão e sofrimento dos dias atuais. 
Esse caminho, que é interno e pessoal, ajuda na cura dessas feridas e do mal entendido, que por mais tolo ou pequeno que possa parecer, podem ser a origem de uma doença, de uma dor ou desequilíbrios da vida atual, impedindo que sejamos felizes e saudáveis. 
Ainda hoje eu busco (e trago) na memória muitos acontecimentos dessa época, pois lá estão respostas  e chaves para muitos questionamentos e comportamentos. Todo terapeuta acaba tendo um pouco de Sherlock Holmes. Investigamos tudo. As vidas dentro dessa vida.
Nas terapias quânticas que surgiram nessa nova era, essa busca é feita com muita amorosidade e clareza, mas é preciso cautela com a escolha do terapeuta. Eu busco sempre por indicação e também confiando na minha intuição e capacidade de percepção. Mas basicamente, um bom terapeuta é aquele que cuida de si mesmo em primeiro lugar. E isso é uma lição que aprendi e que procuro utilizar na prática, pois é assim que eu me torno um canal muito mais refinado para servir ao outro.
Vou partilhar mais desse caminho com vocês em breve. 



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Peregrinação


Salkantay

Eis que a vida surge com desafios, sussurros da alma, novos caminhos. E resolvo aceitar, e cumprir a tarefa.
Descubro que quanto mais aceitação, melhor fica viver. Para quem está vendo de fora pode estar vendo algo completamente diferente do que eu esteja realmente vivendo...mas isso não importa, senão a mim mesma.
O que para muitos pode parecer uma dor sem fim, um momento de muito sofrimento, na verdade tem sido um momento de aprendizado tão grandioso e de tamanha gratidão ao Universo que nem tenho palavras para descrever.
Por isso me silencio. Por isso sigo este caminho agora comigo mesma, com minha alma de peregrina.
Voltarei em breve com os resultados. 

Namastê.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Luz em meu caminho


Recapitulando minha história mais recente percebi a riqueza que há em minha bagagem de vida.
Semana passada mesmo estava arrumando meu material de estudo e pude então constatar o quanto estive conectada com o plano espiritual, que tem me guiado e iluminado o caminho ao longo desses anos. 
Um dia me perguntaram como cheguei até aqui, e foi então que parei para pensar nos tantos cursos que fiz e o principal: O QUE FIZ com todo esse aprendizado. (Porque o excesso de conhecimento é como a xícara que transborda quando o mestre serve o chá sem parar...) 
E então, como numa cena de flashback num filme, me vi na infância e adolescência, uma menina que  tinha muitas crises de insônia e pesadelos, onde o pior deles seria perder um de meus pais, ou ambos, e assim ver minha família se desfazendo, como um jogo de quebra-cabeças que faltasse uma das peças. Perder qualquer membro da família seria perder o chão. Era um monstro temível e muito assustador.
E foi esse medo que me levou a estudar. Sempre quis entender melhor todo esse processo de chegar a esse mundo e descobrir onde vai me levar esse caminho.
No início eu me apoiei muito na religião para resolver essa questão. Numa família com muitas religiões tive a liberdade de poder escolher um caminho. Mas em determinado instante eu sentia que precisava ir além e então fui experimentar outros templos, outras crenças além do que eu tinha disponível ao meu redor.
Fui buscar estudar mais a fundo a espiritualidade, e sempre pedi que me guiassem para o que fosse melhor. E assim, quase que no mesmo instante, surgiam mãos amigas que me mostravam novos caminhos. Eu tinha muito medo de ser manipulada e acabar desviando do caminho e então procurava sempre ficar atenta e pedir muita ajuda aos meus guias espirituais, meus anjos. E eu ficava atenta a qualquer sinal. Às vezes o sinal era sutil como uma folha caindo no meio de um jardim, mas quantas vezes não era um livro que caía na minha cabeça com a página aberta na frase certa, ou simplesmente a letra de uma música que tocava na rádio sem que eu percebesse e quando eu prestava atenção na letra, lá estava a resposta. Tóim!
Descobri a dualidade dentro de mim e pude perceber e compreender um pouco mais a dualidade no mundo: o bem e o mal, o certo e o errado, o calmo e o nervoso, o dia e a noite...E percebi então que existia uma verdade dentro de mim, que muitas vezes era diferente da verdade que me mostravam lá fora. Dualidade. 
E me apoiando nessa verdade interna fui aprendendo a explorar mais meu interior. Meus sentimentos, minhas fraquezas, minha raiva, meu amor. Vi uma imensidão dentro de mim mesma.
E a muralha que eu construí ao longo de muitos anos para me proteger dos monstros, das dores, da vergonha fui desfazendo, tirando um tijolo de cada vez. E haja aprendizado para tirar cada tijolinho desses...
Fui aprendendo que feridas internas se transformavam em doenças da alma e do corpo físico. E que a cura não estava nos remédios da farmácia tradicional. Desde criança a minha aversão por medicamentos era essa verdade interna que brigava contra a externa. E era só eu parar de tomar essa medicação (sempre antes do tempo prescrito na receita!)  que meu corpo melhorava, minha alma ficava leve novamente e eu voltava a ser EU mesma.
Aceitar as próprias falhas é algo inadmissível para muitas pessoas, principalmente para aquelas que adoram apontar as falhas alheias. Eu queria ser perfeita, nunca queria expor minhas falhas, mas elas sempre vinham à tona e eu passava a me odiar por isso. Quando eu me odeio, eu não me amo. E assim não posso amar ninguém.
Então eu precisava olhar minhas falhas e ser mais compreensiva. E isso me fez olhar com compaixão as falhas alheias. Oba, todo mundo falha! Inclusive eu.

Muita gente tem medo de falar de espiritualidade, de guias, de anjos. Eu tive muita vergonha disso por muito tempo. Eu me comparava a pregadores religiosos que batiam de porta em porta ou de microfone em punho. Pessoas comuns se usando de pseudo palavras de Deus para juntar multidões, para trazer a culpa e o medo nas mentes das pessoas para que elas não saíssem debaixo das asas dos seus líderes.
E fui entendendo que minha ligação com Deus não precisava de intermediação. Eu poderia ter uma ligação direta com o Divino. Sem dogmas. Sem medo. Sem templos.
Deus, o Divino, estava em todos esses lugares mas muito mais. Estava dentro de mim e dentro de cada uma das pessoas. E na Natureza. E no ar que eu respiro. E no coração que bate em meu peito. Nos animais e nas plantas. Eu não precisava mais de religiões, mas respeitaria todas. São caminhos e necessidades individuais de cada pessoa.

Quando vou a retiros espirituais, eu medito em meu silêncio interno. Eu me encontro com minha Essência. Vou para desintoxicar o corpo e a Alma. É uma experiência única, que todo mundo deveria experimentar, independente de sua situação emocional, de sua religião ou crença. Existem diversos temas de retiros, com vários objetivos. Às vezes, basta você sair de sua casa. Meu primeiro retiro fui conversar com Deus. Não era um retiro religioso, mas de Yoga. Era para descobrir o Divino dentro de mim mesma. Namastê, a saudação na India significa: o Deus que há em mim saúda o Deus que há em você. Hoje em dia retiros como esse fazem parte de meu calendário anual.

Voltando aos "monstros" da minha infância, o maior dos pesadelos, nesse final de semana meu pai se desligou de seu corpo físico. Eu não vi mais esse desligamento como um monstro horroroso da infância. Como eu havia pedido aos meus guias para me prepararem para esse momento, há um ano atrás no meu aniversário de 43 anos, um anjo veio sussurrar na hora de cortar o bolo que eu precisava me preparar no próximo ano. Que a doença do corpo físico de meu pai  iria se agravar e eu precisava me fortalecer. E estudei muito. E trabalhei minha espiritualidade de uma forma intensa. Segui meu coração. Não falei nada para ninguém pois era um trabalho interno. De um pedido que fiz aos meus guias.
Meu pai partiu com o Gayatri Mantra. Um mantra que suaviza momentos dificeis, alegra os momentos de conquista, que traduz o Amor para o momento na maneira mais conveniente. Esse mantra é um bálsamo em minha vida. Cura muitas dores.

Os guias em minha vida, como você deve estar pensando não são todos visíveis. Alguns são presenças quase imperceptiveis. Alguns podem chamar de "coincidências". Outros de  "insights", "mão de Deus"...
Eu sinto. Eu vejo nos pequenos detalhes. E isso todo mundo pode ter. Basta saber se entregar ao silêncio e se conhecer melhor, se aceitar.
Viemos sozinhos para esse mundo, como andarilhos. E assim vamos embora. Vez ou outra temos encontros ao longo da estrada. Mas assim como há encontros, há despedidas. Dualidade.






Gayatri Mantra

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Autoconhecimento: Purusha e Prakriti





"Era uma vez um planeta chamado Purusha. Pode-se dizer que Purusha era um lugar perfeito, onde todos viviam felizes. Lá não havia tempo nem espaço e todos os habitantes sentiam-se absolutamente completos. O único problema do Planeta Purusha era que lá não havia espelho algum, e sem espelhos, os habitantes desse planeta não podiam ver a si mesmos e nem conhecer a si mesmos, porque em Purusha não havia a noção de separação um do “outro”. 
Um dia, os habitantes do Planeta Purusha ouviram falar de um planeta distante chamado Prakriti, onde era possível conhecer a si mesmo em um mundo de dualidade, vivendo como um ser individual, cada um com sua própria identidade.
Este mundo de dualidade poderia ser percebido através dos cinco sentidos: audição, tato, visão, paladar e olfato. Ao visitar Prakriti, os cidadãos de Purusha poderiam continuar sentindo toda paz e alegria, e ao mesmo tempo também conhecer a si mesmos. Após essa jornada de investigação e aprendizagem, retornariam para casa mais conscientes de sua identidade real – cidadãos do Planeta Purusha.


Para viajar para o Planeta Prakriti, o povo de Purusha precisava de aeronaves especiais que pudessem resistir à atmosfera de Prakriti. Então, construíram aeronaves dos mesmos cinco elementos que compunham o Planeta Prakriti: terra, água, fogo, ar e espaço.
Cada aeronave foi construída artesanalmente, com características particulares que seguiam três modelos básicos chamados Vata, Pitta e Kapha. As aeronaves Kapha eram densas e sólidas; as aeronaves Pitta eram possantes e perfeitas; e as aeronaves Vata eram leves e rápidas.
Cada aeronave era constituída de três componentes básicos: a estrutura da nave em si chamava-se corpo físico, o piloto responsável por dirigir a nave chamava-se mente, e o passageiro principal chamava-se alma, o espírito que leva consigo a essência da felicidade e completude do Planeta Purusha. A ida para o Planeta Prakriti e a volta para Planeta Purusha seria possível somente através da integração completa de Corpo, Mente e Espírito. 
Antes de sair para a jornada ao Planeta Prakriti, os habitantes do Planeta Purusha instalaram uma potente antena transmissora para que eles pudessem sempre manter contato com seu Planeta. Essa antena chamava-se Mahat, que significa “o Grande”. Cada aeronave tinha também um computador de bordo super-inteligente, chamado Buddhi, que quer dizer inteligência suprema, para garantir que o piloto da nave sempre tivesse em contato com o Planeta Purusha.
Todas as aeronaves partiram de Purusha ao mesmo tempo, mas cada uma teve sua trajetória única. As aeronaves Kapha, pesadas e lentas, seguiram a viagem em um ritmo constante. As aeronaves Pitta, concebidas para ter um desempenho perfeito, às vezes perdiam tempo em detalhes desnecessários. As aeronaves Vata fizeram a viagem mais emocionante, explorando diferentes universos e planetas, mas muitas vezes esqueciam onde tinham deixado as chaves e perdiam muito tempo procurando. Mas no fim da viagem, todas as aeronaves chegaram ao Planeta Prakriti ao mesmo tempo. 
Ao se aproximarem de Prakriti, os pilotos prepararam os equipamentos e as ferramentas necessárias para a tão esperada temporada de exploração. Um conjunto de equipamentos chamado de jnanaendriyas servia para receber informações no Planeta Prakriti. Jnanaendriya quer dizer ferramentas para obter conhecimento no idioma do Planeta Purusha, chamado sânscrito. Os jnanaendriyas constituem os cinco sentidos: audição, visão, olfato, paladar e tato. Havia também equipamentos chamados karmendriyas, que permitiam que cidadãos de Purusha pudessem executar ações no Planeta Prakriti, tais como falar, se movimentar, pegar objetos, eliminar resíduos da nave, e até mesmo procriar novas “naves-bebês”. Com todos estes equipamentos, nada poderia atrapalhar a viagem de investigação e autoconhecimento no Planeta Prakriti.


Ao chegarem na atmosfera do Planeta Prakriti, as naves atravessaram uma série de tempestades inesperadas, repletas de turbulência, chamadas tempestades rajas, que quer dizer forte turbulência. Também atravessaram intervalos de calmaria, chamados tamas, onde nada se movia. Esses ciclos de rajas e tamas eram intercalados com breves momentos de equilíbrio perfeito chamados sattva, quando a viagem fluía bem, sem qualquer esforço.
Todas as aeronaves finalmente aterrissaram no Planeta Prakriti, mas a viagem foi muito estressante. A maioria dos pilotos ficou com amnésia crônica, esquecendo sua missão original de exploração e autoconhecimento. Esses pilotos ficaram deslumbrados com as experiências do Planeta Prakriti, não mais se lembrando de sua identidade original como cidadãos do Planeta Pususha. Os sistemas de comunicação inteligentes, buddhi, ficaram enferrujados por falta de uso, e sem buddhi funcionando adequadamente, os pilotos perderam contato com a Grande Antena Mahat, e consequentemente com o Planeta Purusha.
Com o passar do tempo, os cidadãos de Purusha passaram a acreditar que eram cidadãos do Planeta Prakriti, com personalidades próprias. Passaram a pensar que estavam em Prakriti apenas para desfrutar das vitrines dos diversos shoppings, andando em círculos, consumindo combustível e reproduzindo navezinhas. Esta condição de amnésia se chamava de avidya e este círculo vicioso de avidya denominava-se samsara.

No entanto, alguns poucos pilotos continuavam se lembrando da sua verdadeira cidadania e missão. Eles eram chamados de Rishis ou videntes e tinham a capacidade de ajudar os pilotos-esquecidos a saírem do padrão de tráfego circular do Planeta Prakriti e voltarem a se reconhecer como cidadãos do Planeta Purusha. Aqueles que decidiram retornar à sua identidade original precisavam primeiro consertar suas naves devido ao estresse crônico que sofreram com o uso excessivo dos jnanaendriyas e karmendriyas.

Os reparos eram realizados em oficinas que utilizavam uma ciência chamada Ayurveda, especializada em reequilibrar os cinco elementos, matéria-prima das naves. Às vezes, os sistemas das naves estavam tão entupidos e desequilibrados que tinham que passar por um serviço de limpeza completo chamado Panchakarma. Depois das naves terem passado por esse tratamento completo, sentiram a necessidade de ter em mãos um manual de instruções que os guiasse no caminho de volta à Purusha.

Um dos mais conhecidos e eficientes manuais de retorno foi aquele compilado por um sábio chamado Patanjali. O nome do manual chamava-se Ashtanga Yoga, um manual que continha os Oito Passos de retorno à Purusha, descritos a seguir:
Os dois primeiros passos, Yama e Niyama, descreviam como os pilotos deveriam se comportar na viagem de volta.
O terceiro passo, chamado Asana, era necessário para assegurar que as estruturas das aeronaves permaneceriam estáveis e firmes para que a viagem fosse confortável e segura.
O quarto passo, Pranayama, dava as instruções sobre o adequado abastecimento e distribuição de energia durante a viagem.
O quinto passo, Pratyahara, consistia em remover a atenção dos pilotos de todas as distrações do Planeta Prakriti, para que pudessem se concentrar na missão de volta ao Planeta Purusha.
O sexto passo, Dharana, estabelecia uma direção certa e contínua, rumo ao Planeta Purusha.
O sétimo passo, Dhyana, ou meditação, descrevia um estado ideal de vôo no qual todos os sistemas das naves (corpo, mente e espírito) estariam funcionando de forma integrada, guiados por Buddhi, em contato cons-tante com Mahat, mantendo de forma contínua uma comunicação clara com Purusha.
Através deste Manual dos Oito Passos de Patanjali, muitas naves puderam voltar para casa, e quando chegaram, reassumiram sua verdadeira identidade como cidadãos do Planeta Purusha, retornando para um estado de perfeita união, chamado Samadhi, o último passo.
Ao voltarem, no entanto, os cidadãos de Purusha já não eram mais os mesmos de quando haviam partido. Agora, esses cidadãos de Purusha possuíam a experiência do espelho do autoconhecimento. Eles conheceram o Planeta Prakriti, o mundo da dualidade, e então, retornando ao Planeta Purusha, tornaram-se plenamente conscientes de sua natureza intrínseca de paz e completude.


O aprendizado mais profundo dessa viagem, que é a jornada de todos aqueles que trilham o caminho do Yoga, é que Purusha e Prakriti são, na realidade, um só planeta, e que nós podemos viver a vida em estado de Purusha em meio ao mundo de Prakriti."

Filosofia Samkhya: para crianças de todas as idades
(Este texto maravilhoso foi escrito pelo professor Joseph Le Page.)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os Obstáculos do Yoga

Para seguir o caminho do yoga, precisamos estar cientes dos obstáculos que surgem como pedras no caminho. O aluno tropeça constantemente nessas pedras.
Vamos ver como aparecem e aprender como podemos nos libertar delas?




Os nove obstáculos listados por Patânjali são:

Doença
Letargia
Dúvida
Pressa ou Impaciência
Resignação ou fadiga
Distração
Ignorância ou Arrogância
Incapacidade de dar um novo passo
Perda da confiança



1. Doença (Vyadhi)

Tudo o que possa perturbar a saúde física e mental. A doença perturba a mente e precisamos buscar melhorar a saúde para dar continuidade a prática. Para o yogue, seu corpo é o principal instrumento de realização. Se o veículo enguiça, o viajante não pode ir longe. Se o corpo está abatido por falta de saúde, o praticante pouco conseguirá. A saúde física é importante para o desenvolvimento mental, pois em condições normais a mente funciona através do sistema nervoso. Quando o corpo está doente ou o sistema nervoso, afetado, a mente fica inquieta, embotada, inerte, e a concentração ou meditação se tornam impossíveis.

2. Letargia (Styana)

Quando falta energia mental e ânimo para realizar qualquer coisa, ficamos em um estado de inércia, letárgicos, pesados. Como água numa vala fica estagnada e nela nada de bom floresce. Uma pessoa desanimada é um cadáver vivo, pois não consegue se concentrar em coisa alguma.
Isso pode acontecer quando se come demais ou o tipo errado de alimento, pelo clima frio ou até mesmo pela natureza da própria mente.

3. Dúvida ou indecisão (Samsaya)

Para muitos, a dúvida é o maior obstáculo no caminho do yoga. O insensato, o incrédulo e o indeciso destroem a si mesmos. Esse sentimento habitual e persistente de dúvida e incerteza afeta seu progresso no caminho do Yoga.

4. Pressa ou Impaciência (Pramada)

É a pressa em querer alcançar o objetivo rapidamente. Uma pessoa que sofre de pramada está cheia de si, falta-lhe qualquer humildade e acredita que só ela é sábia. Sempre sabe o que é certo ou errado, mas persiste em sua indiferença quanto ao que é realmente certo e escolhe apenas o que lhe é agradável. Pensa em satisfazer suas paixões egoístas e sua glória pessoal, deliberadamente e sem escrúpulos. Agindo com pressa, tropeça, e com isso pode até criar problemas ao invés de progredir.

5. Preguiça (Alasya)

Quando falta entusiasmo e motivação e surge a resignação. É preciso coragem e esperança para vencer esse obstáculo. Um inabalável entusiasmo precisa ser resgatado para vencer essa preguiça e continuar no caminho.

6. Distração (Avirati)

Quando os sentidos se tornam senhores ao invés de servos da mente. Surge um torturante anseio, difícil de conter. É preciso ter os sentidos completamente sob seu controle. Pela prática do pratyahara, ele conquista a libertação de qualquer apego e a emancipação do desejo, e torna-se contente e tranquilo.

7. Ignorância ou Arrogância (Bhrantidarsana)
Quando a pessoa se imagina superior pelo falso conhecimento sofre de ilusões e acredita que sabe tudo, quando na verdade apenas provou um breve instante de sabedoria e tranquilidade. Tem um intelecto poderoso, mas falta-lhe a humildade e fica exibindo seu conhecimento. Essa sensação de ter chegado ao topo é mera ilusão...

8. Incapacidade de dar outro passo (Alabdhabhumikatva)

Quando ao pensar ter feito algum progresso percebe-se o quanto ainda tem a seguir.Como um alpinista que não consegue atingir o cume da montanha por falta de vigor, uma pessoa que não consiga superar sua incapacidade de se concentrar, vai ser incapaz de atingir a realidade. Pode até ter vislumbres da realidade, mas não conseguirá vê-la com clareza. É como um músico que ouviu a música divina num sonho, mas é incapaz de lembrar-se dela em seus momentos de vigília, não conseguindo repetir esse sonho.

9. Perda da confiança (Anavasthitattva)

Uma pessoa afligida pela anavasthitattva, graças a um duro esforço, chegou a contemplar a realidade. Feliz e orgulhosa de tal feito, se descuida da sua prática (sadhana). Foi uma ilusão de ser melhor do que se é realmente. Mesmo chegando neste último estágio, um esforço contínuo é essencial, e é preciso prosseguir no caminho com infinita paciência e grande perseverança, jamais se descuidando para não comprometer o progresso no caminho, perdendo a confiança e a força de permanecer onde nunca se atingiu antes, acabando por perder tudo o que ganhou. Foi dito no Kathopanishad: "O Eu não será compreendido pelo estudo e pela instrução, nem pela sutileza do intelecto, nem por muito treinamento, mas só por quem anseia por Ele; pelo que Ele escolhe. Em verdade, a alguém assim o Eu revela Seu verdadeiro ser".