quinta-feira, 20 de junho de 2013

Mestres



Nessa caminhada, além de desenvolver a intuição, fui aprimorando o meu jeito de caminhar. Foram trabalhos com o corpo físico também. Vencendo medos e barreiras. Cada obstáculo superado, um novo aprendizado.
Na infância eu me lembro ficar imitando aquelas professoras de yoga da TV que faziam aquelas posturas engraçadas. Ficava com as pernas pro ar, me contorcia, arqueava a coluna, cruzava as pernas parecendo dar um nó. Nem imaginava que iria encontrar a yoga em minha vida muitos anos depois.
Fiz aulas de balé. Sempre gostei de dançar. A música mexe com o corpo e com a alma. Aprendi o ritmo e a repetição das coreografias. Aprendi com isso a organização.
Já na adolescência fiz aulas de Tai Chi Chuan com o mestre Pai Lin. Era uma aula em silêncio. Mas sempre terminava com um conto chinês, que nos era compartilhado pelo próprio mestre.
E depois fiz aulas de ginástica e musculação em academia, aprendi a correr nas ruas, participei de São Silvestres, Maratonas e Meias Maratonas. Descobri como respirar, como fortalecer pernas e pulmões. Um grande preparador foi o Marcos Paulo, que mesmo em meio a centenas de alunos era sempre muito presente. Correndo a maratona de Nova York, já nos quilometros finais da prova mas ainda faltando um bom pedaço, era acolhedor ouvir seu grito de incentivo lá do meio da ponte. Nessa hora que a gente só pensa em desistir, ele surgiu do nada e gritou meu nome. Foi emocionante e inesquecível.
Então experimentei artes marciais. Escolhi o Hapkido, uma técnica coreana usada em guerras. Cada golpe aprendido acompanhava uma contusão, um entorse, um hematoma. A dor era sentida e vivida. Vivenciei a coragem. E descobri uma força interior muito poderosa, que derrubava o oponente mesmo se fosse bem maior que eu.
Iniciei a prática de yoga e fui me acalmando. Comecei a caminhar para dentro. As formações e retiros me apresentaram muitos mestres. Mas o caminho era um só. Esse caminho de descobrir quem realmente somos, para onde vamos.
E então surgiu o Pathwork com suas 258 palestras. Fui buscar as respostas das inumeras questões desse caminho.
Mas tive vários outros mestres em tantos outros cursos. Estudei a energia sutil ao fazer Reiki e Homeopatia. Descobri o invisível que podia ser sentido. E assim, nesse aprendizado contínuo vou aperfeiçoando a capacidade de sentir.
Hoje através do Balanceamento Muscular e da Acupuntura eu estou "enxergando" melhor as emoções, e tratando as doenças da alma, da mente e consequentemente do corpo físico.
Sofrer é opcional.





Mantra com Tina Turner


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Luz em meu caminho


Recapitulando minha história mais recente percebi a riqueza que há em minha bagagem de vida.
Semana passada mesmo estava arrumando meu material de estudo e pude então constatar o quanto estive conectada com o plano espiritual, que tem me guiado e iluminado o caminho ao longo desses anos. 
Um dia me perguntaram como cheguei até aqui, e foi então que parei para pensar nos tantos cursos que fiz e o principal: O QUE FIZ com todo esse aprendizado. (Porque o excesso de conhecimento é como a xícara que transborda quando o mestre serve o chá sem parar...) 
E então, como numa cena de flashback num filme, me vi na infância e adolescência, uma menina que  tinha muitas crises de insônia e pesadelos, onde o pior deles seria perder um de meus pais, ou ambos, e assim ver minha família se desfazendo, como um jogo de quebra-cabeças que faltasse uma das peças. Perder qualquer membro da família seria perder o chão. Era um monstro temível e muito assustador.
E foi esse medo que me levou a estudar. Sempre quis entender melhor todo esse processo de chegar a esse mundo e descobrir onde vai me levar esse caminho.
No início eu me apoiei muito na religião para resolver essa questão. Numa família com muitas religiões tive a liberdade de poder escolher um caminho. Mas em determinado instante eu sentia que precisava ir além e então fui experimentar outros templos, outras crenças além do que eu tinha disponível ao meu redor.
Fui buscar estudar mais a fundo a espiritualidade, e sempre pedi que me guiassem para o que fosse melhor. E assim, quase que no mesmo instante, surgiam mãos amigas que me mostravam novos caminhos. Eu tinha muito medo de ser manipulada e acabar desviando do caminho e então procurava sempre ficar atenta e pedir muita ajuda aos meus guias espirituais, meus anjos. E eu ficava atenta a qualquer sinal. Às vezes o sinal era sutil como uma folha caindo no meio de um jardim, mas quantas vezes não era um livro que caía na minha cabeça com a página aberta na frase certa, ou simplesmente a letra de uma música que tocava na rádio sem que eu percebesse e quando eu prestava atenção na letra, lá estava a resposta. Tóim!
Descobri a dualidade dentro de mim e pude perceber e compreender um pouco mais a dualidade no mundo: o bem e o mal, o certo e o errado, o calmo e o nervoso, o dia e a noite...E percebi então que existia uma verdade dentro de mim, que muitas vezes era diferente da verdade que me mostravam lá fora. Dualidade. 
E me apoiando nessa verdade interna fui aprendendo a explorar mais meu interior. Meus sentimentos, minhas fraquezas, minha raiva, meu amor. Vi uma imensidão dentro de mim mesma.
E a muralha que eu construí ao longo de muitos anos para me proteger dos monstros, das dores, da vergonha fui desfazendo, tirando um tijolo de cada vez. E haja aprendizado para tirar cada tijolinho desses...
Fui aprendendo que feridas internas se transformavam em doenças da alma e do corpo físico. E que a cura não estava nos remédios da farmácia tradicional. Desde criança a minha aversão por medicamentos era essa verdade interna que brigava contra a externa. E era só eu parar de tomar essa medicação (sempre antes do tempo prescrito na receita!)  que meu corpo melhorava, minha alma ficava leve novamente e eu voltava a ser EU mesma.
Aceitar as próprias falhas é algo inadmissível para muitas pessoas, principalmente para aquelas que adoram apontar as falhas alheias. Eu queria ser perfeita, nunca queria expor minhas falhas, mas elas sempre vinham à tona e eu passava a me odiar por isso. Quando eu me odeio, eu não me amo. E assim não posso amar ninguém.
Então eu precisava olhar minhas falhas e ser mais compreensiva. E isso me fez olhar com compaixão as falhas alheias. Oba, todo mundo falha! Inclusive eu.

Muita gente tem medo de falar de espiritualidade, de guias, de anjos. Eu tive muita vergonha disso por muito tempo. Eu me comparava a pregadores religiosos que batiam de porta em porta ou de microfone em punho. Pessoas comuns se usando de pseudo palavras de Deus para juntar multidões, para trazer a culpa e o medo nas mentes das pessoas para que elas não saíssem debaixo das asas dos seus líderes.
E fui entendendo que minha ligação com Deus não precisava de intermediação. Eu poderia ter uma ligação direta com o Divino. Sem dogmas. Sem medo. Sem templos.
Deus, o Divino, estava em todos esses lugares mas muito mais. Estava dentro de mim e dentro de cada uma das pessoas. E na Natureza. E no ar que eu respiro. E no coração que bate em meu peito. Nos animais e nas plantas. Eu não precisava mais de religiões, mas respeitaria todas. São caminhos e necessidades individuais de cada pessoa.

Quando vou a retiros espirituais, eu medito em meu silêncio interno. Eu me encontro com minha Essência. Vou para desintoxicar o corpo e a Alma. É uma experiência única, que todo mundo deveria experimentar, independente de sua situação emocional, de sua religião ou crença. Existem diversos temas de retiros, com vários objetivos. Às vezes, basta você sair de sua casa. Meu primeiro retiro fui conversar com Deus. Não era um retiro religioso, mas de Yoga. Era para descobrir o Divino dentro de mim mesma. Namastê, a saudação na India significa: o Deus que há em mim saúda o Deus que há em você. Hoje em dia retiros como esse fazem parte de meu calendário anual.

Voltando aos "monstros" da minha infância, o maior dos pesadelos, nesse final de semana meu pai se desligou de seu corpo físico. Eu não vi mais esse desligamento como um monstro horroroso da infância. Como eu havia pedido aos meus guias para me prepararem para esse momento, há um ano atrás no meu aniversário de 43 anos, um anjo veio sussurrar na hora de cortar o bolo que eu precisava me preparar no próximo ano. Que a doença do corpo físico de meu pai  iria se agravar e eu precisava me fortalecer. E estudei muito. E trabalhei minha espiritualidade de uma forma intensa. Segui meu coração. Não falei nada para ninguém pois era um trabalho interno. De um pedido que fiz aos meus guias.
Meu pai partiu com o Gayatri Mantra. Um mantra que suaviza momentos dificeis, alegra os momentos de conquista, que traduz o Amor para o momento na maneira mais conveniente. Esse mantra é um bálsamo em minha vida. Cura muitas dores.

Os guias em minha vida, como você deve estar pensando não são todos visíveis. Alguns são presenças quase imperceptiveis. Alguns podem chamar de "coincidências". Outros de  "insights", "mão de Deus"...
Eu sinto. Eu vejo nos pequenos detalhes. E isso todo mundo pode ter. Basta saber se entregar ao silêncio e se conhecer melhor, se aceitar.
Viemos sozinhos para esse mundo, como andarilhos. E assim vamos embora. Vez ou outra temos encontros ao longo da estrada. Mas assim como há encontros, há despedidas. Dualidade.






Gayatri Mantra