Hoje, para encerrar esse primeiro passo do Sistema de Oitos Passos de Patãnjali, veremos os demais yamas: Asteya (não roubar), Brahmacharya (moderação dos sentidos) e Aparigraha (desapego).
3. Asteya
Esse yama significa não roubar, não tomar para si o que não é seu. E isso não significa apenas subtrair um bem material que não lhe pertença. Podemos roubar o tempo alheio quando atrasamos para um compromisso fazendo a outra pessoa perder tempo, ou mesmo quando ficamos tomando o tempo dos outros com nossas lamúrias, descontentamentos, reclamações e críticas de outrem.
Pode ser roubar uma idéia, não creditando a autoria de uma frase, de um projeto. Ou então esquecer de devolver algo que foi tomado emprestado.
Praticando Asteya estaremos trabalhando a honestidade, e isso inclui o cultivo da integridade e da utilização somente daquilo que é realmente necessário e indispensável.
Até mesmo lucros excessivos são considerados agressões. Quando praticamos asteya evitamos apropriar-se de bens alheios, assim como frases, experiências, prestígio, conceitos. Assim estaremos também praticando Ahimsa (Não violência) e Satya (Verdade), pois o ato de roubar é uma violência assim como uma forma de enganar os outros e a si mesmo.
4. Brahmacharya
O termo brahmacharya significa literalmente: "O que caminha com brahman". Mas como a maioria dos yoguis e sábios eram casados não vemos apenas como esse tipo de controle, dos impulsos sexuais, mas uma moderação dos sentidos, de uma forma geral.Poderia ser traduzido como celibato, visto que a castidade era vista como exigência disciplinar na época que os estudantes bramânicos aprendiam os Vedas ao pé de um mestre.
Quando nossos sentidos estão voltados para o externo, nessa busca pelo prazer (não somente sexual), acabamos nos afastando de nossa essência. Vivemos num mundo onde se busca cada vez ter mais, fazer mais.
Quando cultivamos brahmacharya procuramos FAZER, sem se preocupar em fazer mais, mas procurando fazer bem feito, como algo sagrado; e procurando SER sem depender de algo externo.
Aprender a ficar consigo mesmo por alguns instantes, sem se preocupar com os estímulos externos.
Isso não significa que devemos nos abster do prazer, mas parar de buscar essa repetição do mesmo prazer, que só nos traria sofrimento.
5. Aparigraha
O desapego, a não possessividade. Esse yama não só significa trabalharmos o desapego em relação a objetos, pessoas, situações, mas também avaliar a real necessidade do objeto em si.
Vivendo num mundo excessivamente consumista, estamos sempre adquirindo mais e mais e com isso acumulamos cada vez mais. Temos a tendência de guardar coisas que julgamos ser importante se não hoje, um dia talvez...Criamos necessidades desnecessárias.
Cultivar aparigraha nos leva a libertação. Paramos de nos identificar com os objetos e assim nos aproximamos de nossa prórpia essência (Satya).
Isso não significa que temos de banir todos os nossos desejos e livrar-nos de todas as nossas posses. Mas aprendemos a viver com o necessário e não viver apenas para manter o desnecessário.
Agora já conhecemos os Yamas: Ahimsa, Satya, Asteya, Brahmacharya e Aparigraha, que irão nos guiar na maneira como iremos nos relacionar com as pessoas e com o mundo.
Seria algo como um "guia de etiqueta social", onde aprenderemos a viver em grupo e respeitar o próximo.
Mas esse guia não é simplesmente para ser seguido, e sim compreendido e então ser incorporado em nosso cotidiano.
Como vimos, todos esses yamas parecem estar relacionados entre si, assim sendo, mesmo que escolha apenas um deles para praticar e cultivar no seu dia a dia, estará cultivando todos os demais.
Se você achava que o Yoga era aquela aula de uma hora sobre um tapetinho, feito duas vezes por semana como se fossem exercícios físicos de relaxamento ou de contorcionismo, estava muito enganado.
Como diz o professor Marcos Rojo, praticar yoga é mais que isso. Você pratica o dia todo, a semana toda.
"Infelizmente, por ignorância ou apelo comercial, o Yoga chegou ao Ocidente trazendo na bagagem conceitos que não necessariamente pertencem ao seu universo.
Por parte de quem fala ou preconceito de quem escuta, já foi confundido com faquirismos, autoflagelação, religião, ginástica e prática misteriosa para fanáticos e iniciados no esoterismo..."
(Prof. Marcos Rojo)