sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Retiro de Páscoa





Conversando com Deus
  

Local: Uniluz - Nazaré Paulista/SP
   

Data: 05/04 a 08/04 (Feriado de Páscoa)


Durante o feriado de Páscoa, Marco Schultz estará conduzindo uma profunda investigação na vida e obra de grandes "mahatmas", mestres e sábios de diferentes tradições, que realizaram o que se pode denominar a Verdade Maior, o Absoluto, Deus. Este retiro tem como objetivo principal oferecer um contexto inspirador para o desenvolvimento de uma relação mais próxima, profunda e interior com o caminho espiritual e a vivência mística.
Serão 4 dias de ensinamentos, meditação, yoga, caminhadas e atividades do cotidiano do campus de Nazaré Uniluz, o “Viver em Grupo”, meditação na ação!
Marco Schultz, professor de yoga e meditação, coordena o Simplesmente Yoga. Viveu vários anos no exterior, estudando diversas áreas relacionadas ao autoconhecimento e ao desenvolvimento humano integral. Viaja extensivamente liderando grupos de estudos a importantes centros de peregrinação espiritual, e também ministrando cursos, retiros e satsangs - encontros caracterizados por ensinamentos e pelo canto de mantras.



Maiores informações: http://www.nazareuniluz.org.br/


Nazaré Uniluz - Secretaria 
11 4597-7109 /11 4597-7103 / 6473-2851





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Meditação

"Ninguém, ninguém pode ensiná-lo a meditar. Não importa quão longa seja a barba do cidadão ou as roupas exóticas que ele use. Descubra por si próprio, mantenha-se fiel à sua descoberta e não dependa de ninguém."

"Meditação não é fuga. Também não é misterioso! Da meditação nasce a vida pura e sagrada. E, então, você trata todas as coisas como sendo sacras.""



  J. Krishnamurti ( do livro Nossa Luz Interior - O verdadeiro significado da meditação)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Olhar para o Divino


Quando estamos presentes, aqui e agora, percebemos o sagrado.
Quando estamos abertos para receber, as oportunidades de crescimento surgem a cada nova ação.
Quando temos coragem para enfrentar o novo, renascemos para a Vida.
Quando nos desapegamos de tudo que é impermanente nessa vida, nos tornamos seres inteiros e eternos.

by Claudia

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Gratidão II

Você está achando que hoje é apenas mais um dia? Não, hoje é O DIA. Um presente. O único presente que você tem agora. E sua única resposta mais apropriada é GRATIDÃO.





Gratidão I :  link

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Um novo amanhecer

Namastê! Começando um novo ano aqui no blog e em nossas vidas!
Espero que todos tenham descansado um pouco (ou muuuito!) e que estejam prontos para dar início a  mais um ano!
Muitos alunos voltando, outros iniciando...Que bom! Sejam todos muito bem vindos!
Durante a viagem de férias eu percebi o quanto é importante simplificar a vida, desapegar-se do que é desnecessário. Pude vivenciar como é mais fácil carregar uma bagagem mais leve, e mais fácil de ajeitar a cada mudança de hotel e cidade...(A única exceção ficou por conta do skate longboard que resolvi comprar que não coube na mala, rsrs...)

Uma das técnicas que considero uma faxina mental e que me ajuda muito nessa simplificação da vida é a meditação. Livramos da tensão, do excesso de pensamentos e preocupações, dos sentimentos desorientados...
Esse vídeo é para aqueles que nunca meditaram na vida  poderem experimentar e quem sabe incluir no dia a dia? Não vai custar nada e vai levar apenas um minutinho do seu dia.
Aproveitem! E compartilhem com seus amigos e familiares!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Feliz 2012!

Hoje foi o encerramento de uma das turminhas de Yoga, e li esta mensagem que compartilho com todos vocês:

(Margem do rio Ganges, Rishikesh)

As 4 Leis da Espiritualidade:


1ª Lei: “A pessoa que vem é a pessoa certa”.
Significa que ninguém está em nossa vida por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor estão interagindo conosco. Há sempre algo que nos faz aprender e avançar em cada situação.
2ª Lei: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido”.
Nada, nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…, talvez não teria acontecido se eu…”. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos alguma lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.
3ª Lei: “Toda vez que você iniciar é o momento certo”.
Tudo começa na hora certa: nem antes, nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é o momento em que as coisas acontecem.
4ª Lei: “Quando algo termina, acaba realmente”.
Simplesmente assim. Se algo acabou em nossas vidas foi para a nossa evolução, por isso, é melhor seguirmos em frente e nos enriquecermos com cada experiência.

“Se um dia você tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se: Se escolher o mundo ficará sem amor, mas se você escolher o amor, com ele conquistará o mundo”. ALBERT EINSTEIN

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Os cinco estados da mente humana:












Ksipta – no seu mais baixo estado de consciência, a mente é altamente agitada e incapaz de raciocinar, escutar ou ficar quieta! Ela é como um macaco bêbado, pulando de um galho para outro: os pensamentos, sensações e as percepções ficam num vai e vem.

Mudha – neste estado, nenhuma informação parece chegar ao cérebro.  É como um búfalo mergulhado na água, inerte, ficando horas sem fim no mesmo lugar. A mente pode ficar assim depois de uma refeição pesada, ou quando se dorme de menos. A pessoa fica completamente desatenta: pode estar segurando suas chaves e ainda assim perguntar, ”onde estão minhas chaves?” Também acontece depois de se perder um ente querido, de sofrer uma grande decepção ou até mesmo quando algo que era muito desejado não pôde ser conquistado. A pessoa simplesmente desiste de tudo e perde o interesse.

Viksipta – Aqui a mente esta recebendo as informações, mas parece incapaz de processá-las. A mente oscila em confusão, com um dialogo interno como, “Eu quero fazer algo, mas eu não posso fazer. Devo fazer isso ou aquilo?”. É o estado mais comum da mente. Ela alterna o tempo todo: o saber e a incerteza, a autoconfiança e a insegurança. A mente se depara com obstáculos e dúvidas.



Ekagrata – neste estado, a mente está relaxada, mas não sonolenta. A pessoa está pronta para focar e prestar atenção, pré-requisitos para a meditação, corresponde a dharana. Uma boa aula de yoga pode levar esta mente a um estado de atenção relaxada. Temos direção e progredimos nela, mantendo a atenção. Levamos a mente do estado de viksipta a ekagrata.


Nirodha – Aqui sua mente não esta distraída por pensamentos aleatórios, mas esta totalmente absorvida no objeto de seu foco. Isto pode ocorrer na meditação ou quando a pessoa está totalmente envolvida em alguma coisa. É o quinto e mais elevado estado da mente. Nada mais preocupa. Menos perguntas surgem na mente. A mente não se perde mais em assuntos paralelos. Não se preocupa mais com o que os outros  vão pensar. A mente fica "envelopada"por interesse. Nirodha = ni (grande intensidade interna) e rodha (estar envelopado).

Durante nossa pratica seja de meditação, pranayama, asanas ou qualquer outra das inumeras técnicas do yoga é muito importante estarmos conscientes em qual destes cinco estados nossa mente se encontra.

O mestre B.K.S. Iyengar vem desenvolvendo um estudo sobre como cada parte de nosso corpo é regido por estes cinco estados de consciência durante a pratica, principalmente a dos asanas.
Ele ensina que só quando nossa consciência estiver conectada com cada fibra muscular, cada célula, cada parte do nosso corpo e nossa energia e consciência estiver presente da planta do pé ao topo da cabeça um asana estará sendo executado de forma precisa.

Em yoga estamos tentando criar condições nas quais a mente se torna tão útil quanto for possível para as nossas ações.
É preciso se preocupar com o alinhamento do seu corpo, mas sempre sem esquecer de sua consciência e o direcionamento de sua energia durante a prática, conectando-se cada vez mais com os aspectos mais sutis e finalmente com sua verdadeira essência, sua verdadeira natureza.

O alinhamento do corpo deve levar ao alinhamento da mente e o alinhamento da mente por sua vez, deve levar ao alinhamento da consciência!

Um yogue não é alguém que viu algo que os outros NUNCA viram; mais precisamente, é alguém que vê o que os outros AINDA NÃO viram.



Fonte: Livro "O coração do Yoga" - T.K.V. Desikachar

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Treinando para Sirshasana (Pouso sobre a cabeça)

Satsang Marco Schultz - Dezembro 2011



Que tal encerrar o ano com chave de ouro? 


Mantras com Marco Schultz.


São Paulo - 02 de dezembro - sexta feira - 20h30
Local: ICDEP
Endereço: Rua Juréia, 349 - Chácara Inglesa (próximo ao metro Santa Cruz)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Meditação Guiada Aberta - Arte de Viver


    • Sábado, 3 de Dezembro de 2011
    • Hora
      11:00 até 12:30


  • Onde
    Sede Arte de Viver_Sede Vila Nova Conceição, R.Sampaio Gois, 70 (Próximo ao Parque do Ibirapuera), São Paulo (São Paulo, Brazil)
  • Descrição
    YOGA, RESPIRAÇÃO, MEDITAÇÃO E MUITA ALEGRIA!!!

    Venha participar da última Meditação Guiada Aberta da Arte de Viver na sede da Vila Nova Conceição de 2011!

    Esta é uma oportunidade para celebrar o novo ano que se aproxima!!!

    Participe e convide seus amigos!!!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Prana, a energia vital



Prana com referência a nós humanos, pode ser descrito como algo que flui continuamente de algum lugar dentro de nós, preenchendo-nos e nos mantendo vivos: é a vitalidade.
Textos antigos como o Yoga Yajñavalkya nos dizem que, quando alguém está com problemas, agitado ou confuso, tem mais prãna fora do corpo do que dentro. A quantidade de prãna fora do corpo é maior quando não nos sentimos bem; nessas horas a qualidade do prãna e sua densidade dentro do corpo está reduzida. Pouco prãna dentro do corpo pode se expressar como uma sensação de estar preso ou restrito. Pode também se mostrar como uma falta de vigor ou motivação para fazer qualquer coisa; ficamos prostrados ou até deprimidos.
(...)
O que quer que aconteça na mente influencia a respiração; a respiração se torna mais rápida quando estamos agitados e mais profunda e calma quando relaxamos.
Nossas ações às vezes perturbam a mente, fazendo com que o prãna exsude do corpo.

Por meio da prática dos exercícios respiratórios (Pranayamas), revertemos esse processo, pois uma mudança no padrão da respiração influencia a mente.
A idéia de o prãna existir dentro ou além do corpo pode ser compreendida como um símbolo de nosso estado mental. Quando a mente está tão clara como um cristal transparente, não há nada que possa perturbar o corpo; não há "lixo"acumulado. Por outro lado, se notamos hesitação, descontentamento, medo de fazer algo porque pode ser impróprio, e assim por diante, podemos concluir que há bloqueios no sistema.
(...)
O elo entre mente e respiração é o mais significativo. O Yoga Sutra diz que quando praticamos Pranayama, o véu é gradualmente retirado da mente e passa a haver uma crescente clareza. A mente torna-se pronta para a meditação profunda.
(...)
O prana entra no corpo no momento em que há uma mudança positiva na mente. (...) As mudanças da mente podem ser observadas primeiro nos nossos relacionamentos com outras pessoas. As relações são o teste para saber se estamos de fato entendendo melhor a nós mesmos. (...)

(Fonte: O coração do Yoga - T. K. V. Desikachar - capitulo: Pranayama)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não acredite...

Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. 

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. 

Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. 

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. 

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. 

Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.

Buda

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Poesia Sufi



     Yunus Emré, em tempos muito antigos, inventou contos mais duráveis que a memória de sua própria vida. Foi também um incansável buscador da verdade. Aos vinte anos aproximadamente, ou talvez mais jovem ainda, veio-lhe ao coração uma avidez pelo conhecimento que o levou pelos caminhos do mundo. Ele partiu na esperança que essa sede de saber o conduzisse a um mestre que o iluminasse. Esse mestre foi-lhe dado encontrar depois de dez anos de errância miserável, no grande vento de uma colina, em plena estepe da Anatólia. Chamava-se Taptuk e era cego.

     Taptuk também havia viajado muito, mas por caminhos diferentes dos de Yunus. Adolescente ainda, raspou sua cabeça e sobrancelhas e vestindo um gorro de feltro vermelho foi combater invasores mongóis. Atravessou tantas derrotas quantas efêmeras vitórias. Cavalgou com o sabre entre os dentes, perseguindo homens tão loucos quanto ele.
     Odiou, pilhou, matou, cem vezes perdeu e encontrou sua alma no furor dos combates, até que finalmente o silencio se abateu sobre sua cabeça. Numa noite de derrota, ele foi deixado como morto num campo de batalha, à beira de um riacho. Lá, uma mulher, a primeira de sua existência com exceção de algumas prostitutas de tavernas, finalmente debruçou-se sobre ele. Ela o recolheu, cuidou dele até curá-lo. Só não pode devolver-lhe a visão que lhe tinha sido tomada por um sabre inimigo. Ela então lhe ofereceu sua vida, sua mão para conduzi-lo. Desse dia em diante, guiado por sua esposa, Taptuk não sonhava outra coisa a não ser encontrar ele mesmo um caminho até a fonte silenciosa de onde se eleva a luz que torna todas as coisas simples.
     Uma noite, nesse deserto seco onde ninguém se aventurava, com exceção de alguns pastores, ele alcançou a fonte. Lá, construiu sua casa. Outros buscadores juntaram-se a ele, de tempos em tempos, levados por não se sabe que vento da alma. Eles reconheceram nesse homem imponente e de poucas palavras o mestre que eles esperavam. Construíram suas cabanas perto da sua e em volta levantaram uma paliçada.
     Quando Yunus Emré chegou a esse lugar, o monastério de Taptuk, o cego, não era mais do que isso: algumas choupanas baixas rodeadas por um muro de pedras secas na estepe infinita. Taptuk, assim que apalpou o rosto e os ombros deste andarilho faminto de saber, prometeu-lhe a verdade.
     - Ela chegará aos poucos, disse-lhe. Por enquanto seu trabalho será varrer sete vezes por dia o pátio do monastério. Yunus obedeceu de coração. No instante mesmo em que se viu diante desse ancião de cabeça raspada, uma confiança inquebrantável apoderou-se dele. Sete vezes por dia ele varria o pátio com entusiasmo, saudando alegremente o mestre e seus discípulos, quando eles se reuniam na casa da esposa onde Taptuk, o cego, ensinava todas as manhãs. Mas ninguém respondia às suas saudações. "Está bem que os discípulos me ignorem, dizia-se, mas aquele que  tão bem me acolheu em sua casa, por que não me dirige a palavra?"
     Assim se passou um ano, depois dois e tres anos, sem que ninguém falasse com ele. Então, seu coração tornou-se pesado. "Sem duvida este silencio significa alguma coisa, pensou, seguramente meu mestre quer ensinar algo para minha alma, pois é à alma que se dirige a palavra sem voz.
     "Refletiu sobre sua solidão, enxotando sete vezes por dia o pó que o vento trazia sem cessar para o pátio do monastério. Enfim, numa manhã de primavera, ao sair de sua cabana, a vassoura nos ombros, uma luz lhe veio. "Descobri! Taptuk quer ensinar-me a paciência", se disse ele. Seu coração encheu-se de júbilo e ele voltou a varrer o pátio com um ardor renovado.
     Cinco anos se passaram. Dois outros se escoaram ainda, depois tres, depois cinco novos anos, sem que sua sorte mudasse. Então Yunus desesperou-se. "Que fiz eu para merecer tão longa indiferença?"se disse ele. Talvez meu mestre tenha me esquecido. Ou talvez não seja eu para ele senão um idiota recolhido por piedade, bom apenas para varrer o pátio. Esforçou-se, no entanto, para refletir desapaixonadamente. Numa noite de tempestade, veio-lhe ao espírito que Taptuk quisesse lhe ensinar a humildade. Em meio à escuridão atormentada em que se encontrava, ele sorriu. "É isso. Ele quer me ensinar a humildade". Na manhã seguinte, quando iniciou o trabalho, seus gestos estavam mais comedidos e, porque seu coração estava em paz, ele se põs, enquanto varria o pátio, a cantarolar. Pouca coisa. Palavras que lhe subiam aos lábios e que ele deixava ir ao vento pela única satisfação de ouvir voz humana. Entretanto, sua confiança em Taptuk pouco a pouco o deixou. Este homem, decididamente, o enganara. Ele não tivera jamais a intenção de ensinar-lhe o que havia prometido. "Perco minha vida a esperar", se disse ele.
     Cinco anos ainda, varreu o pátio, sem que ninguém o escutasse. Uma noite, cansado dessa miserável existência e convencido de que ninguém se aperceberia de sua ausência, decidiu deixar aquele lugar onde, depois de quinze anos de humilde paciência, não havia encontrado senão amargura e melancolia.
     Ele se foi pela noite, caminhando sempre em frente. Andou até o amanhecer, embriagado de liberdade sem esperança. Sentiu fome e sede mas não havia nenhuma fonte onde saciar-se, nenhum abrigo onde pudesse refazer as forças neste infinito deserto de ervas amarelecidas, pedras e vento.
"Vou morrer, se disse. Que importa? Mais vale morrer caminhando do que varrendo o pátio de um louco". Andou, por tres dias inteiros. Na noite do terceiro dia, no momento em que ia deitar-se sobre um rochedo para oferecer seu corpo extenuado aos abutres, percebeu ao longe um acampamento. Surpreendeu-se. Nenhum viajante viria a essas terras. Quem poderiam ser essas pessoas? Aproximou-se. Viu homens sentados na entrada de uma grande tenda. Festejavam rindo e falando alto. Quando o viram, fizeram sinal e, gritando alegremente , convidaram-no a compartilhar sua refeição. Frutas deliciosa, assados apetitosos, bebidas de todas as cores em frascos de vidro estendiam-se  em profusão sobre
um tapete de lã. Yunus acercou-se deles, bebeu, comeu, e finalmente ousou perguntar a essas pessoas por qual milagre, neste deserto hostil, eles se achavam assim providos de alimentos tão raros, como ele jamais havia experimentado.
    Uma voz conduziu-nos aqui, disseram-lhe. Com certeza é o melhor lugar do mundo. Todos os dias o vento nos traz de longe os cantos de um dervixe desconhecido. Basta escutá-los e cantá-los que logo aparecem diante de nós todas essas iguarias suculentas que você vê. seríamos loucos, se fossemos viver noutro lugar.
      Yunus extasiou-se, confessou que jamais conhecera magia igual e atreveu-se a perguntar a seus companheiros se eles poderiam ensinar-lhe tais cantos para que ele não morresse de fome pelo caminho.
     - Com prazer, responderam os homens. E se puseram a cantar. Então Yunys, com os olhos arregalados e a boca aberta, ouviu os cantos que ele mesmo inventara durante cinco anos, varrendo o pátio do monastério. Reconheceu as mesmas palavras que pronunciara com o único desejo de enganar a solidão. Músicas nascidas do seu coração, na esperança de espantar a melancolia. Eram a sua obra. No mesmo instante ele compreendeu para qual trabalho ele estava neste mundo, experimentou a pura verdade de sua alma e sofreu a pior vergonha pensando em Taptuk que o havia instruído, sem que ele percebesse, como a um filho infinitamente amado. Então abraçou e beijou os homens que o haviam acolhido e voltou ao monastério correndo e chorando. "Taptuk me perdoará por eu ter duvidado dele? se dizia ele, bebendo o vento. Algum dia ele me perdoará?"
     Já era noite quando chegou à porta carcomida que fechava a paliçada. Bateu chamando e pedindo piedade. O rosto de esposa  de Taptuk apareceu em cima do muro.
     -Eis que está de volta, Yunus, disse ela docemente."Pobre criança! Não sei se Taptuk o aceitará de novo entre nós. Sua partida o desesperou.'"Que desgraça, disse-me ele, meu filho mais querido deixou-me. Que vale a minha vida daqui para frente ? "Vou abrir. Você vai dormir na poeira do pátio. Amanhã, quando seu mestre fizer o passeio matinal, vai bater o pé no seu corpo. Se ele disser: "Quem é este homem?", então, você deverá partir para sempre. Mas se disser: "É você, meu bom Yunus?", então saberá que pode outra vez viver em sua presença. Entre, meu filho.
     Yunus deitou-se na poeira do chão. Ao amanhecer viu aproximar-se Taptuk, o cego, com sua esposa. Fechou os olhos, sentiu um pé contra suas costas e ouviu:
     - É você, meu bom Yunus?
     Ele se levantou inebriado de luz e de felicidade, correu para sua vassoura e começou novamente a varrer o pátio.
     Assim ele fez até sua morte, sem falhar um único dia, quando se tornou semelhante ao pó mil vezes levado pelo vento, seus cantos se elevaram, invadiram os lugares onde viviam os homens e os nutriam com uma bondade tão perseverante que ainda hoje, nove cidades na Anatólia reivindicam o privilégio de ter em seu território o verdadeiro túmulo de Yunus Emré, o homem que Taptuk, o cego, iluminou.


(Fonte: Poesia Sufi )

terça-feira, 25 de outubro de 2011